Um PT humilde e tolerante

O sindicalista Jacy Afonso ao tomar posse da presidência regional do PT. Foto: Brasília Capital

A foto sentado sozinho em frente à bandeira vermelha com a estrela ao centro foi o único pedido do sindicalista Jacy Afonso após duas horas e meia da solenidade que o empossou como presidente regional do PT. Também assumiram suas funções, os novos 62 integrantes do Diretório Regional do partido para o quadriênio 2020-2024.

Na noite de segunda-feira (16), o braço esquerdo erguido e o punho fechado repetiram o gesto de luta característico da militância petista. Fora isso, o discurso do novo comandante do partido do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva na capital da República foi de conciliação.

Jornada de 1.000 dias – Disposto a conduzir o PT a recuperar o protagonismo em Brasília, onde já esteve à frente do governo por duas vezes (com Cristovam Buarque e com Agnelo Queiroz), Afonso pediu “mais humildade e mais tolerância” dos petistas em relação às demais legendas de esquerda e centro-esquerda e, principalmente, no contato com eleitores críticos aos governos Lula e Dilma Rousseff. “Iniciamos hoje uma jornada de 1.000 dias até as eleições para governador em 2022”.

Também insistiu que o PT retorne às suas origens. “Nós nascemos da luta dos movimentos sociais, da Teologia da Libertação, dos sindicatos. E vamos fazer o enfrentamento organizado da sociedade contra o atual governo juntamente com os demais partidos do campo progressista”, discursou.

O próprio cerimonial da posse foi uma sinalização de que, no plano local, o PT poderá, inclusive, apoiar candidatos de outros partidos na corrida sucessória do governador Ibaneis Rocha (MDB) em 2020. Revezaram-se à mesa e nos discursos, representantes do PSol, da Rede, do PCdoB, do PCO, do Unidade Popular (UP) e do clandestino Partido da Refundação Comunista (PRC).

Simbologia – Os movimentos sociais se fizeram presentes por intermédio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do MST, da UNE, do CMP (Central dos Movimentos Populares), de sindicatos como os dos professores (Sinpro), Rodoviários, Sindical e SindServiços, além de entidades como o Dieese e a Contag.

Jacy Afonso com a vice-presidente, professora Rosilene Corrêa e o secretário-geral, Geovani. Foto: Brasília Capital

Afonso resumiu a abrangência da chapa vitoriosa na disputa interna do PT homenageando a vice-presidente, professora Rosilene Corrêa, “uma mulher de coragem”, e o secretário-geral, Geovani, “um jovem negro e lutador das causas sociais”. “Eles dois simbolizam aquilo que queremos que o PT represente para a sociedade”.

A posse do novo comando petista reuniu mais de 300 pessoas no auditório do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF). Na plateia estavam oito dos 12 irmãos de Afonso. “Todos petistas”, reiterou o presidente.

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