Um amigo vale mais do que um brilhante!

 

Remexendo em papéis guardados num cantinho de meu escritório, encontrei uma carta com o título acima, assinada pelo escritor Innocêncio Viégas, na minha opinião o melhor cronista desta Capital. Não tanto pelos encômios a mim dirigidos e sim pelo conteúdo literário, transcrevo parte dessa mensagem que recebi no meu aniversário de 89 anos, em 2014:

“Conheci o Fernando quando ele assumiu o posto de Editor-Chefe do Jornal O ESQUADRO, do Grande Oriente do Brasil, em 1995, na gestão do inesquecível Grão-Mestre Francisco Murilo Pinto.

“Fernando deu outra cara ao nosso Jornal. Fez de um mensário de classe – a Maçonaria – uma publicação conhecida nacionalmente, resultado de seu talento editando jornais de grandes nomes pelo País e de ter percorrido o mundo como repórter, inclusive cobrindo guerras. Na invasão dos fuzileiros dos Estados Unidos em São Domingos, em 1965, viu morrer uma jornalista americana, metralhada ao seu lado, que também era correspondente de guerra. O atirador o deixou vivo para que ele hoje pudesse abraçar a esposa, os filhos, os inúmeros amigos e este escrevinhador.

“Fernando, sempre desejei escrever, com você, a crônica que passou pela minha cabeça no dia em que fomos demitidos do GOB pelo novo Grão-Mestre, recém-eleito no ano 2000. Saímos do Palácio Maçônico, na 913 Sul,  a pé, no rumo da W-3, onde você atravessaria em direção ao seu apartamento na 113 Sul e eu pegaria o ônibus 512, para chegar à minha casa em Sobradinho.

“Na calçada da W-3 avistamos dois meninos, entre 8 e 10 anos, que arrastavam uma carrocinha cheia de recicláveis. O menor, afoito, ia atravessando a rua, sem ver o carro que se aproximava velozmente. Você correu e o segurou pelo frágil braço, evitando o atropelamento. Os garotos seguiram adiante.  Você, olhando-os, disse: ‘Dois meninos do Brasil!”. Aí, eu acrescentei: esse será o título da crônica que escreveremos a quatro mãos. Mas nunca a escrevemos.

“Fernando, meus parabéns por esta feliz data. Que Deus continue a lhe iluminar, à Lêdinha e familiares. Você, querido Irmão, merece um carinhoso tríplice abraço maçônico, porque, como amigo, você vale mais do que um brilhante!”

Mas convém falar a verdade, agora, fevereiro de 2017, invertendo as premissas: Você, sim, Viégas, é o brilhante que eu tive a sorte de encontrar na minha bateia, como garimpeiro de letras!

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