Torre Digital vai se chamar Oscar Niemeyer

Do alto da Torre Oscar Niemeyer Crédito: Bento Viana

O nome do arquiteto Oscar Niemeyer se confunde com o nome de Brasília. Foi ele que defendeu o projeto urbanístico de seu colega Lucio Costa, além de acompanhar cada passo da construção da cidade.     Pois esse homem que tantos serviços prestou ao Brasil e ajudou, efetivamente, a construir a Nova Capital, não têm um monumento em Brasília com o seu nome.

         Para fazer justiça e para honrar sua memória, em boa hora o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Rafael Prudente (MDB), propôs que a cidade consagre a Torre Digital de Brasília com o nome: Torre Digital Oscar Niemeyer. Justificativas não faltam. Pelo menos cinco, vale a pena enumerar:

  1.  Oscar Niemeyer concebeu mais de 300 projetos arquitetônicos em 71 cidades de 20 estados brasileiros, além de outros 150 projetos construídos em 55 cidades de 27 países, em quatro continentes. Destaques para 22 igrejas projetadas e 12 construídas; a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e praticamente uma cidade inteira: Brasília.
  2.  Emoldurando suas obras concretas, está outra intangível e de igual envergadura: duas dezenas de livros publicados, centenas de artigos, desenhos e designs de móveis. Em 2007, foi eleito o nono gênio mundial vivo em uma lista compilada pela empresa Syntetics.
  3.  A Torre Digital é o último projeto de Oscar Niemeyer inaugurado com o arquiteto maior ainda vivo.
  4.  Pelo lado espiritual, Oscar Niemeyer, mesmo ateu, com sua torre nos proporciona um momento de reflexão. “Quando alguém sobe ao topo da Torre Digital, podendo observar o Planalto Central em 360 graus, tanto menores parecem ser as coisas do mundo terreno e tanto maior se manifesta o mundo celeste”, lembrou o mestre arquiteto.
  5.  Vale ressaltar também a importância da Torre Digital no que o projeto evitou de poluir a paisagem de Brasília. Graças ao arquiteto Oscar Niemeyer e a servidores públicos brasilienses, como o ex-governador José Roberto Arruda, o ex-presidente da Terracap, Antônio Gomes, e a diretora arquiteta Evelise Longhi, que pensaram em menos poluição visual – impedindo que se fincasse no horizonte de Brasília muitas torres de ferro em forma de “paliteiro” para transmissão do sinal digital. Há que lembrar a postura firme do ex-governador Agnelo Queiroz e do vice Tadeu Filippelli para a conclusão e inauguração da obra.

O fato é que o céu de Brasília ficou mais cativante e o cenário da Capital do Brasil mais preservado.

     Obrigado, Oscar Niemeyer!

(*) Jornalista e ex-secretário de Cultura do GDF

Deixe um comentário