Todo poder ao forró!

Sob o título acima e edição de página inteira, a justificativa é que o forró é tradição da nossa jovem cidade, Brasília, muito embora eu não saiba, absolutamente, se esse ritmo inclui um passo pra cá e outro pra lá. Sou alheio em se tratando de rebolar os quadris, até por preconceito de não ser confundido por um boiola tradicional, doença contagiosa, tal qual a fila do cordão dos puxa-sacos, que a cada dia aumenta mais.

E aceito o rótulo de que sou “ruim da cabeça ou doente do pé”, segundo Dorival Caymmi: “O samba da minha terra deixa a gente mole, / Quando se canta, todo mundo bole…”. Porém, discordo de que “não sou bom sujeito” só porque não entendo de samba ou de forró! Claro que se trata de julgamento em causa própria, por sinal como está atuando a maioria dos distintos senhores do Supremo Tribunal Federal do Brasil.

Sem falsa modéstia, confesso que nesse assunto de forró nordestino estou bem longe do poeta baiano Caymmi, de quem sou fã incondicional, principalmente nas canções com cheiro de mar, como aquela “E a jangada voltou só!”, que por sinal não tem nada a ver com forró, nem em ritmo ou substância musical. Aliás, autêntica“Operetta”, em italiano, versão de uma ópera leve que conta um fato acontecido, a exemplo de:

“A jangada saiu / Com Chico Ferreira e Bento / A jangada voltou só / Com certeza foi lá fora, / Algum pé de vento. / E a jangada voltou só. / Chico era o boi do rancho / Nas festas de Natá. / Não se ensaiava o rancho / Sem com Chico se contá. / E agora que não tem Chico / Que graça que pode ter / Se Chico foi na jangada / E a jangada voltou só!”.

No entanto, para desfazer qualquer dúvida de que estou a fim de desmoralizar o forró, até porque sou adepto dos compositores da Música Popular Brasileira – com destaque para Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, transcrevo a opinião do ex-ministro da Cultura e também valor da MPB, o baiano Gilberto Gil: “Sou aprendiz de forrozeiro. Desde menino, eu gosto do forró. Sempre separei certo espaço no meu trabalho para o gênero. É a música da infância, a primeira música que deixou resíduos muito fortes na minha alma”.

Resumindo: consoante à última pesquisa feita por mim, o forró é sucesso no Brasil desde 1940. Entrego minha mão à palmatória: musicalmente, sou um ignorante de pai e mãe!

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