Sinduscon vê Centro Administrativo como um multiplicador de perdas

Presidente do Sinduscon, Luiz Carlos Botelho, afirma que, além da sociedade não se beneficiar do empreendimento, não há retorno do capital investido. Foto: Andre Borges/Agência Brasília

A não utilização do complexo de 17 prédios do complexo do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad) em Taguatinga, construído pelo consórcio Odebrecht-Via Engenharia, é “um dano profundo para a sociedade”. A avaliação é do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF), Luiz Carlos Botelho.

O Brasília Capital mostrou esta semana que o GDF não tem projetos para ocupar o Centrad em 2018. Enquanto isso, os prédios ficam sem qualquer utilidade e causam prejuízos a empresários e comerciantes que investiram nas redondezas apostando no aumento do fluxo de pessoas a partir de sua inauguração.

Por tudo isso, o presidente do Sinduscon classifica a frustração na primeira grande parceria público-privada (PPP) do Governo de Brasília “um multiplicador de perdas ao GDF”, pois o Estado terá dificuldades em futuras negociações com a iniciativa privada.

Os três anos da falta de utilização do complexo do Centrad, na visão de Luiz Carlos Botelho, representam um agravante para essa relação entre o público e o privado. O presidente do Sinduscon afirma que o investimento precisa oferecer um equilíbrio econômico-financeiro com o atendimento do objetivo central do empreendimento.

“Quando você não conclui ou não põe em utilização, não há retorno do capital. Não havendo esse retorno, há um dano profundo para a sociedade. Um dano duplo: primeiro, porque a sociedade não se beneficia daquele investimento; segundo, o capital, ao não reproduzir-se, não permite novos investimentos”.

PPPs

Apesar de negar que o mau resultado do Centro Administrativo seja um reflexo do desempenho ruim da construção civil no DF, Luiz Carlos Botelho garante que isso impacta na viabilização de novas PPPs. Mesmo não descartando a possibilidade de novos investimentos por parte dos empresários, acredita que isto será muito mais difícil a partir de agora.

“Tira o aspecto psicológico de que o Estado cumpre a sua parte na responsabilidade do investimento. Há um reflexo muito alto na viabilização de outras PPPs. Afinal, foi feita uma, produzido o investimento e os resultados são profundamente negativos para os investidores. O outro ator não cumpriu sua parte e não caminhou para buscar outro destino”.

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