Sindicato tenta barrar privatização da CEB

Está marcado para o dia 4 de dezembro o leilão para vender parte da Companhia Energética de Brasília (CEB). Conforme a publicação do Governo do Distrito Federal no Diário Oficial do DF, o lance mínimo será de R$ 1,424 bilhão. A apresentação das propostas será em 1º de dezembro, das 9h às 12h, na Bolsa de Valores de São Paulo. A CEB conta, atualmente, com 80% de participação do Executivo.

Contrário à proposta, o Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal (Stiu-DF) pretende barrar o processo na Justiça. Segundo o diretor do Stiu, João Carlos Dias, a proposta do GDF é um “despropósito que trará para Brasília a triste realidade hoje vivenciada pela população de Goiás, Acre, Piauí, São Paulo, Mato Grosso do Sul e em praticamente todos os estados que privatizaram suas concessionárias de energia elétrica”.

Por outro lado, o presidente da Companhia, Edison Garcia, avalia a privatização como “necessária para que ocorra a melhora da qualidade do serviço de distribuição”. A venda da empresa também tem o objetivo de saldar dívidas que somam R$ 870 milhões.

Segundo Garcia, as ligações clandestinas de energia são o principal motivo dos prejuízos da CEB, gerando R$ 90 milhões em dívida por ano.

Área técnica – Especialistas ouvidos pelo Brasília Capital afirmam que grandes grupos do setor elétrico com atuação no segmento de distribuição de energia já sinalizam o interesse de entrar na briga pela CEB. Atualmente a empresa ocupa a 25ª posição entre as 29 distribuidoras de grande porte no ranking nacional de qualidade do serviço.

Os técnicos consideram que, apesar desse dado, é relativamente fácil reverter a situação, com investimento em eficiência operacional. Para os investidores, a CEB possui vários atrativos, como consumo médio de energia por cliente considerado relativamente alto e uma população com renda elevada em relação à média nacional.

O fato de a companhia estar localizada na capital, próxima aos órgãos reguladores (Aneel e ONS), também é uma vantagem da empresa. Os estudos apontam para a necessidade de investimento de R$ 5 bilhões ao longo dos 25 anos do contrato.

Alguns analistas consideram que a concessão da CEB tem uma vantagem adicional, que é atender a capital, o que oferece a possibilidade de o grupo vencedor do leilão passar a conviver com políticos e com o órgão regulador que define os rumos do setor.

A decisão de vender a CEB foi reafirmada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) na quarta-feira (18). Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Ibaneis confirma – A decisão de vender a CEB foi reafirmada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) na quarta-feira (18), em almoço com 70 empresários da Lide, quando também falou que levará o metrô de Brasília a leilão na Bolsa de Valores de São Paulo.

O chefe do executivo disse que, como candidato ao Buriti, não pretendia vender a CEB. “Eu não tinha conhecimento da situação da empresa. Ou vendemos ou perdemos a concessão“, justificou, diante do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), presidido por Paulo Octávio.

BRB e Caesb – O chefe do Executivo descartou privatizar o Banco de Brasília (BRB) e a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb). Não precisou explicar que ambos têm boa gestão e dão lucro aos cofres públicos…

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