Ser ou não ser

Quem valorizou esta expressão foi William Shakespeare, em Hamlet, sua principal obra entre as 37 que escreveu para o teatro: “To be or not to be: that is  the question…”  (Ser ou não ser: esta é a questão…).

Muito embora não tenha nada a ver com o tema destas mal traçadas linhas, é como se tivesse, de tal maneira se encaixa nesse verdadeiro tsunami (maremoto) que está nos afogando através do que se convencionou chamar de mídia, leia-se exploração do sensacionalismo.

Diuturnamente, estão sendo estampadas nas primeiras páginas dos jornais, dos magazines e nas manchetes televisivas as uniões conjugais entre gays: ”casamentos” de  mulher com mulher e de homem com homem, até que a morte (ou a Aids) os separe.             Sobre o assunto, a revista Veja esgotou nas bancas e faturou com certeza milhões de reais extras (além dos anúncios a peso de ouro) ao publicar em sua capa o sugestivo flagrante do abraço de um “casal” de mulheres e a respectiva declaração de amor da glamorosa que faz papel de “marido”, a popular cantora baiana Daniela Mercury.  

 A reboque dessa explícita manifestação de paixão, a própria desinibida artista quarentona (47) fez questão de declarar que já teve dois maridos (do sexo oposto, sim), além de dois filhos já adultos do primeiro casamento e mais três adotados.

“Estou feliz porque estou amando!” E com uma simplicidade impressionante, deixou claro que não tem preconceitos: “se houvesse uns ETs charmosos por aí, eu ia querer conhecer também”.  Só faltou dizer que os comeria.

É óbvio que os exploradores desses fatos insólitos sabem que os referidos casos não constituem nenhuma novidade. Afinal, a transa entre “gays” do mesmo sexo  já foi publicada na própria Bíblia, ocorrida há mais de dois mil anos, quando Deus destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra por terem exagerado na dose em relação a essa prática.

Por tabela, subliminarmente, Shakespeare tinha razão: ser ou não ser é o direito de liberdade de cada um.

A questão é que seja respeitado outro direito, ao meu ver, mais importante: na platéia há crianças atônitas, de olhos arregalados e ouvidos atentos. E elas, necessariamente, não precisam ficar sujeitas, de forma prematura, ao mérito da opção certa ou errada das pessoas mais velhas.

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