Sem Rede, jogo vira embolado

O mundo político de Brasília mergulhou em profundo estado de suspense e de intensas negociações desde a noite de quinta-feira (3). Ao se pronunciar contra o registro da Rede Sustentabilidade por seis votos a um, o Tribunal Superior Eleitoral acabou com o sonho da presidenciável Marina Silva de ter seu próprio partido para disputar as eleições de 2014. De quebra, a decisão do TSE abriu um amplo leque de possibilidades de composições em todos os campos, da direita à esquerda. Com isso, as negociações se intensificaram e tudo pode acontecer.

Marina aparece em segundo lugar em todas as pesquisas de intenção de votos, atrás apenas da presidente Dilma Rousseff (PT). Com um cacife de 19,6 milhões de votos obtidos em 2010 em todo o país, sendo mais de 600 mil no Distrito Federal, onde foi a primeira colocada, a ex-senadora pelo Acre é a aliada dos sonhos de dezenas de candidatos brasilienses.

 

Decepção – O deputado José Antônio Reguffe aguardava, ansioso, a criação da Rede para assinar a ficha de filiação e assumir a candidatura ao GDF. Mas ficou decepcionado. Obrigado a permanecer no PDT, seu caminho mais provável é o Senado. Resta saber qual candidato ao GDF ele apoiará – o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), o governador Agnelo Queiroz (PT) ou a distrital Eliana Pedrosa (PPS).

A única certeza de Reguffe é que não se aliará aos ex-governadores Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR). E já sinalizou que prefere continuar na oposição a Agnelo. Neste particular, ele fala a mesma língua do correligionário Cristovam Buarque. O senador é abertamente favorável ao acordo com o PSB do governador Eduardo Campos (PE), seu conterrâneo, e rechaça Roriz, Arruda e o PT.

 

Alírio sonha – Marina Silva anunciaria no sábado (5) se se filiaria ou não a alguma agremiação para participar do pleito do próximo ano. A tendência era de que ela ingressasse no PEN ou no PPS. Caso opte pelo primeiro, o presidente local, deputado distrital Alírio Neto, mesmo com chances remotas, está disposto a correr o risco de ficar sem mandato para ajudar a presidenciável como candidato a governador. O PPS já lançou a distrital Eliana Pedrosa ao Buriti, que também adoraria montar o palanque de Marina.

O governador Agnelo Queiroz comemorou a decisão do TSE, uma vez que Reguffe seria um adversário dificílimo. Mesmo sabendo da resistência do pedetista, mandou recado de que gostaria de tê-lo como senador em sua chapa. Agnelo faz apenas jogo de cena. Seu partido tem dois postulantes ao cargo – os deputados Chico Leite (distrital) e Geraldo Magela (federal). Mas todos sabem que a vaga será negociada com o PTB para a tentativa de reeleição de Gim Argello.

 

O fator Arruda – Recolhido ao silêncio, para evitar ataques prematuros, o ex-governador José Roberto Arruda manteve o acordo de se filiar ao Partido da República (PR). Se conseguir evitar condenação até o ano que vem, se lançará à disputa pelo Buriti, até como forma de pedir desculpas aos seus eleitores e tentar explicar o episódio da Caixa de Pandora.

Arruda recebe afagos de possíveis aliados, como Eliana Pedrosa (PPS), Luiz Pitiman (PMDB), Gim Argello (PTB) e até do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Todos de olho em seu eventual espólio eleitoral, caso não consiga escapar das garras da Justiça.

Já o velho cacique Joaquim Roriz tratou de se juntar ao antigo amigo, ex-senador Luiz Estevão, dono do PRTB. Com a saúde debilitada, Roriz sabe que dificilmente terá condições de disputar uma campanha majoritária. Por isso, levou com ele a filoha, a distrital Liliane Roriz. Ela se diz preparada para herdar o capital político do pai. Enquanto isso, sua irmã Jaqueline continuou no PMN garantir a coligação e um mínimo tempo no horário eleitoral do TRE.

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