Sem papas na língua

           Eu, pecador contumaz, talvez já tenha cometido todos os menores pecados da vida. Quem sabe, até alguns dos maiores. Estes, não deliberadamente. Por isso, me confesso a Deus, todo poderoso, a quem rogo compreensão e que me faça anistiado, se possível. Do contrário, que se há de fazer? Alenta um pouco o temor a oração da Gestalt que me incute a convicção de que “não estou neste mundo para viver segundo as suas conveniências”.
            Mas quem está a salvo do cometimento de deslizes e até mesmo das máculas dos pecatas mundi? Quiçá, nem mesmo o Papa, nem os apóstolos e pastores espraiados terra a fora. Verdade é que todos nós temos e bebemos os nossos próprios venenos e nem para todos há o correspondente antídoto, que é produzido pelo próprio pecador, representado pela sua capacidade de se redimir e de não reincidir trilhando os mesmos caminhos tortuosos que o tenham levado a tais infortúnios.

            Pra sair do muro das lamentações, prefiro e recomendo, como receita empírica, uma pitada de amenidade, associada a igual dose de algum bom-humor. que poderão ser encontrados e extraídos no exercício do bem e na distribuição da alegria de viver que habita a cada um de nós. Equivale dizer, a adoção do ensinamento popular “viva e deixe viver”.

            Mas deixar viver, não significa apenas “não matar”, ouvidos os ensinamentos cristãos, e sim possibilitar com que o próximo exerça esse direito com dignidade, pelo menos igual, quando não melhor que a vida que lhe foi concedida.

            Filosofar é bom, mas a prática do que se prega, que não é nada fácil ser cumprida, se faz bem melhor e confere a quem adota a satisfação quase que plena de sentir os reflexos positivos gerados pelos gestos e atitudes positivas praticados.

            Ao debruçar-me neste ato de contrição, nada mais faço que o exercício de reflexão que me faz questionar a natureza das minhas falhas. Acima disso, tentar impregnar-me do desejo sincero de constante mudança, cuja experiência recomenda o prosseguimento e aprimoramento da mesma. Assim, oxalá, um dia possa alcançar a consolidação dos meus sonhos, que se construirá em escala proporcional ao que possa edificar de positivo nessa empreitada irreversível.

            Assim, terão sido debalde e tidas como vãs todas as filosofias, caso incorra naquela “faça o que digo, não faça o que faço”.

            Portanto, mais aproveitado terá sido dizer: “se não fazes o que digo, não faça o que faço”.

            Fácil, não?


Por Antônio Bezerra

Da Redação

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