Salve-se quem puder

O último ato de solidariedade política recebido pelo ex-administrador de Taguatinga, Carlos Alberto Jales, foi na madrugada de quinta-feira (7). Por telefone, ele foi avisado de que seria alvo de uma ordem de prisão e saiu de casa às pressas, às 4h. Deixou para trás as filhas e a mulher, Marfisa Adriane, que acabou conduzida à Delegacia para prestar depoimento.

Na propriedade rural de um amigo, nos arredores do DF, onde se escondeu, Jales passou a acompanhar o noticiário. O rádio, a TV e a Internet informavam que ele era considerado foragido. A pressão era grande. E ele passou mal. Aconselhado por advogados, deu entrada na madrugada seguinte no Hospital Santa Marta, em Taguatinga Sul, onde ficou sob a escolta de policiais civis.

A Justiça prorrogou por mais cinco dias o pedido de prisão temporária e só na quinta-feira (14) à tarde o ex-administrador prestaria seus primeiros esclarecimentos ao delegado. A exemplo de outros envolvidos interrogados anteriormente, foi instigado a aceitar o benefício da delação premiada, que prevê redução de pena, em caso de condenação, para réus que colaboram com as investigações. Não se sabe se ele aceitou ou se aceitará futuramente.

Jales, assim como seu ex-assessor jurídico, Laurindo Modesto Pereira Júnior, são considerados peças estratégicas no inquérito. Caso um dos dois concorde em contar tudo o que sabem, podem causar um terremoto no governo e na Câmara Legislativa. O primeiro, por comandar todos os processos na Administração de Taguatinga, que, segundo indícios de irregularidades apontados nas escutas gravadas com autorização judicial, são comuns nas demais cidades do DF. O segundo, por ter orientado o chefe a dar um cunho de legalidade às maracutais que perpetravam.

Apadrinhado do deputado distrital Washington Mesquita (PTB), Jales certamente ficará sabendo que o amigo não assume – como de fato ninguém assumiria – responsabilidade pelo que se passou na Administração de Taguatinga. Nem mesmo o líder religioso idolatrado por Carlos Jales, o padre Moacir Anastácio, da Paróquia de São Pedro, aceitou falar no assunto. Os empresários e assessores que o paparicavam tendem a lhe virar as costas, para defender seus próprios interesses.

Aí que mora o perigo. Isolado, Jales pode reagir como uma fera ferida, passando a usar o ataque como sua melhor defesa.

E salve-se quem puder.

One Response

  1. Na verdade, é uma matéria sem comentário! O Sr. Carlos Jales esqueceu como Administrador de Taguatinga, que Deus não dorme… Existe um velho ditado quem não sabe rezar, xinga a Deus..

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