Rollemberg perde ação contra o Sinpro

 

Campanha na rua. TRE entende a manifestação apenas como críticas ao governo. Foto: Antônio Sabino

 

O governador Rodrigo Rollemberg acaba de perder uma ação contra o Sindicato dos Professores (Sinpro), no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), em que tentava impedir a veiculação da campanha “E Agora, Rodrigo?” em TV, outdoors ou qualquer outro tipo de mídia. A desembargadora Carmelita Brasil julgou extinta e mandou arquivar, quarta-feira (21), o processo onde o PSB, partido de Rollemberg, alegava que a campanha tinha por finalidade fazer propaganda eleitoral antecipada.

O PSB argumentava que as críticas a Rollemberg favoreceriam “potenciais candidatos do Governo do Distrito Federal”. Entre outros motivos, a desembargadora entendeu que nenhum diretor do Sinpro é candidato, e nem o próprio governador é igualmente candidato ainda. Então, o entendimento foi de que os panfletos ou inserções não podem caracterizar propaganda eleitoral antecipada. São apenas críticas à gestão de Rollemberg.

Dura realidade

“O Sinpro levanta estas questões porque os professores estão na ponta. São eles que convivem diretamente com essa dura realidade, juntamente com estudantes e suas famílias. A intenção das nossas campanhas é mostrar as mazelas pelas quais todos estamos passando;  para provocar o debate; para fazer com que o GDF se mexa e apresente soluções. Infelizmente, a solução que recebemos de Rollemberg foi mais uma tentativa de censura”, enfatiza o coordenador de imprensa do Sinpro, Cláudio Antunes

“Se uma parcela da sociedade não concorda com as medidas de um governo, ela tem todo o direito de não só discordar, como abertamente criticar e exigir mudanças. É uma crítica que faz parte da democracia”, complementa Rosilene Corrêa, coordenadora de Finanças. A campanha faz alusão ao poema de Carlos Drummond de Andrade que, frisa o Sinpro, “ilustra o sentimento de solidão e abandono do indivíduo na cidade grande, sua falta de esperança e sensação de que está perdido na vida, sem saber que caminho tomar”.

Argumentos

O Sinpro apresenta mais argumentos para defender a campanha E Agora, Rodrigo?. “Foi a forma encontrada pelo sindicato para criticar como o GDF vinha enfatizando suas realizações na campanha ‘Brasília está no rumo certo’, a um custo de milhares de reais. O Sinpro discorda desta posição pois, ao contrário do que tenta fazer crer, Rollemberg não cumpre o que determina a legislação. Os professores não receberam reajuste salarial; não receberam o reajuste do auxílio-alimentação; o governo tenta de todas formas impedir que a categoria continue progredindo na carreira a fim de conter gastos”.

“Ainda no caso da Educação, ao invés de construir escolas, quebram-se laboratórios para servir como sala de aula ou transportam-se estudantes de um lado para outro da cidade para assistirem às aulas. Não nomeia professores e orientadores educacionais concursados na quantidade necessária que a rede de ensino precisa. Não respeita o pagamento da pecúnia aos aposentados da categoria. Isso sem falar que a própria cidade está sendo penalizada com serviços públicos que vêm se deteriorando.

Outros exemplos da má gestão de Rollemberg não faltam: não há médicos suficientes na rede pública; pediatrias nas UPAs são fechadas; as passagens de ônibus aumentaram 66% sem a devida contrapartida; terceirização do Hospital de Base. É um governo desastroso e que tenta, na televisão, passar a ideia que ‘está no rumo certo’, critica o Sinpro.

“Por fim, a campanha E agora, Rodrigo? oportuniza ao cidadão brasiliense poder expressar as suas necessidades e de discordar com a tese do GDF”, conclui. Cláudio Antunes frisa que  “o governo, inclusive, perdeu a oportunidade de fazer esse debate ao buscar nos tribunais a solução para os problemas, ou seja, tentando escondê-los e calar o sindicato”.

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