Rollemberg: “Ibaneis é arrogante”

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) vê como arrogância e “demonstração de desapreço com a população de Brasília” a decisão de seu adversário, Ibaneis Rocha (MDB), de não participar de debates no final do segundo turno na disputa pelo Palácio do Buriti. Embora os institutos apontem uma diferença de 50 pontos percentuais entre ele e o oponente, o candidato à reeleição garante que pesquisas para consumo interno de sua campanha mostram que a vantagem do emedebista é de “apenas” 15%. “Até o último momento a opinião do eleitor pode mudar, mudando o resultado da eleição”, aposta. Durante entrevista ao Brasília Capital segunda-feira (22) à noite em seu comitê, no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), Rollemberg disse que “Ibaneis é a velha política. E até mais: a pior política. Ele está ligado a Michel Temer, Tadeu Filippelli, Júnior Brunelli e Benício Tavares”. Rollemberg duvida que o emedebista cumpra a promessa de pagar a paridade da Polícia Civil com a Polícia Federal, porque isto implicaria em aumentar os salários da PM, dos professores e do pessoal da Saúde, o que causaria um impacto de pelo menos R$ 4 bilhões por ano nos cofres do Distrito Federal. “Se a gente tiver um nível de irresponsabilidade desse tipo, vamos ter, em seis meses, Brasília vivendo um caos”, prevê o socialista. Ele também se recusa a se posicionar a favor ou contra Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial. “Eu adotar uma posição a favor de um ou de outro iria contribuir para essa radicalização nefasta para Brasília e para o Brasil. Por isso, decidi ficar independente e reafirmar os valores que sempre me acompanharam desde sempre, da democracia, da redução das desigualdades sociais, do combate à corrupção, do respeito aos direitos humanos, do respeito à diversidade”, justifica.

A cinco dias do segundo turno, o candidato à reeleição acredita na virada na reta final: “este é o momento de fazer com que as retas do gráfico das pesquisas se cruzem e a gente tenha uma grande vitória”. Foto: Júlio Pontes

Governador, última semana de campanha. Animado? – Animado. Tenho sentido que meu adversário vem caindo e a gente se aproximado dele. E este é o momento, é a reta final, de fazer com que as retas do gráfico das pesquisas se cruzem e a gente tenha uma grande vitória.

O seu adversário, numa postura de quem lidera a disputa, tem se recusado a participar de alguns debates com o senhor. Qual a sua avaliação dessa postura do Ibaneis Rocha? – Isso é fruto da postura arrogante do candidato. Veja que isso nunca aconteceu em Brasília. Em todas as eleições, até quando a dona Weslian teve que substituir o governador Joaquim Roriz, ela participou dos debates até o final. Na última eleição, eu e o Frejat participamos de todos os debates. O governador Roriz, em todas as suas campanhas, mesmo estando na frente, participou dos debates. Essa postura do Ibaneis demonstra um desapreço muito grande com a população, um desrespeito com a população, e uma característica arrogante de sua personalidade.

Nas campanhas anteriores, havia uma grande rixa nas ruas, entre as militâncias. Hoje, as militâncias não estão em confronto, mas os dois candidatos estão se estranhando. Por que isso – Essa eleição é estranha; uma eleição diferente. Existe uma frieza dos eleitores, uma decepção muito grande com a política por tudo que aconteceu no Brasil. Todas as denúncias de corrupção, que foram em grande parte delas protagonizadas pelo partido do candidato Ibaneis, o MDB, levaram a uma frustração muito grande da população, e também faz com que os votos não estejam consolidados. Então, até o último momento a opinião do eleitor pode mudar, mudando o resultado da eleição. No Brasil todo e em Brasília, todos os institutos de pesquisa erraram: não previram a vitória do Zema em Minas Gerais; não previram a vitória do juiz no Rio de Janeiro; não previram que eu iria para o segundo turno aqui no DF. Na minha opinião, por isso, o voto não está consolidado, e a população só vai decidir o voto na véspera ou no dia da eleição.

Pelos institutos, o senhor tinha poucas chances de passar para o segundo turno. Mas, na semana que antecedeu o 7 de outubro, em entrevista ao Brasília Capital, mostrou-se otimista, e acabou contrariando as pesquisas. Agora, mais uma vez, os levantamentos apontam uma dianteira muito grande para o seu adversário. Ainda acredita na virada? – Nossas pesquisas mostram que ele vem caindo e a gente subindo. Eu tenho uma confiança muito grande de que a gente vai ganhar no segundo turno. Acho que essa decisão dele de não participar dos debates mostra que ele vinha caindo a cada debate, quando a gente confrontava o Ibaneis com a verdade de sua trajetória. Veja bem: ele veio até aqui crescendo, como se fosse o novo. Só que, na verdade, ele era desconhecido. Quando as pessoas começam a conhecer determinadas facetas do perfil do Ibaneis, descobrem que ele é a velha política. E até mais: a pior política. Ele está ligado a Michel Temer, que dispensa comentários; a Tadeu Filipelli, preso pela Lava-Jato; a Júnior Brunelli, da oração da propina; a Benício Tavares, acusado de pedofilia; está sendo processado pelo Ministério Público por ter superfaturado e recebido indevidamente R$ 3 milhões de um dos municípios mais pobres do Brasil, com isso deixando mais de mil crianças fora da escola. Existem ainda outras suspeitas que precisam ser explicadas. Alguns temas levantados pelo Alberto Fraga, por exemplo, de um tal de Lorival, que foi um servidor da Justiça demitido pelo bem do serviço público porque fazia cálculos superfaturados que beneficiavam escritórios de advocacia e que o Fraga insinuou que o escritório do Ibaneis poderia ser um dos beneficiários, e ele até aqui não explicou isso. Então, temos vários temas sombrios que, digamos assim, fazem uma sombra sobre a candidatura do Ibaneis. Talvez por isso ele não queira participar dos debates. Para não ter que ser confrontado com esses temas constrangedores para a trajetória dele.

Então, do ponto de vista de quem está à frente nas pesquisas, a estratégia dele de não participar dos debates pode ser uma forma de se proteger e evitar desgastes. Vemos a mesma coisa na disputa presidencial, com o Jair Bolsonaro… – Não tenho dúvida que é uma postura arrogante do candidato. Mostra esse perfil arrogante que a população já percebeu que é uma característica dele, e me parece muito desrespeitosa com o eleitor. O eleitor tem todo o direito de ver o confronto dos candidatos, porque desse confronto direto que surgem as questões relevantes, inclusive da vida pessoal, da vida profissional, da trajetória, para o eleitor saber se aquela pessoa tem os atributos morais que ela quer ver no governo do DF. Me parece que a grande preocupação dele é ser confrontado com temas constrangedores da sua trajetória política, que ele não teria condições de dar explicações adequadas.

O senhor tem procurado deixar a marca de um governo transparente, sem escândalos de corrupção, uma coisa que não se via em Brasília nos últimos anos. Na campanha, tem apresentado propostas dentro de uma realidade econômica possível, enquanto o seu adversário promete coisas que o senhor já diz que ele não vai cumprir… – Não vai cumprir mesmo. E isso é mais um fato pelo qual ele está correndo do debate. É muito fácil ele sair prometendo, prometendo e prometendo, mas quando é confrontado com números e realidade, não tem como dar explicação. Por exemplo: ele está prometendo dar 37% de aumento para Polícia Civil. Isso custa R$ 942 milhões por ano. Pressionado pela Polícia Militar, que não se conforma em ter um aumento menor do que o da Civil, ele disse que também vai dar o mesmo aumento para a PM. Dá 1,9 bilhão ao ano. E ainda tem as 32 categorias profissionais que estão aguardando o aumento. Mais 1,5 bilhão ao ano. Ou seja, só aí nós estamos falando de mais de R$ 4 bilhões ao ano. Mas você acha, por exemplo, que os professores vão se conformar de ver uma categoria como os policiais civis receber 37% de aumento e eles receberem 2,5% de aumento? Você acha que os servidores da Saúde e da administração direta vão se conformar em ter aumento de 5% ou 6% sabendo que uma categoria teve aumento de 37%?

 

“A grande preocupação do Ibaneis é ser confrontado com temas constrangedores da sua trajetória política, que ele não teria condições de dar explicações adequadas”. Foto: Júlio Pontes

Mas a Polícia Civil alega que está há dez anos sem reajuste… – Não é verdade. No meu primeiro ano de governo eles tiveram um aumento de 5%, como a Polícia Militar. O que eu estou colocando é que ele fez o compromisso com Polícia Civil de dar a paridade de 37% e a Polícia Militar não aceita um aumento diferente do da Civil. Então ele vai e garante para a PM que vai dar o aumento. Se ele não der, como não vai dar, porque é matematicamente impossível dar, ele vai ter greve da Polícia Civil, vai ter operação tartaruga da Polícia Militar, greve de professores. E nós vamos ter um caos na cidade no ano que vai ser um ano muito difícil, porque qualquer que seja, o presidente que vai assumir um país dividido, em Brasília será preciso ter tranquilidade. Será preciso ter um governador que dialogue com todas as pessoas, como eu dialoguei e consegui passar por um momento de maior turbulência da história de Brasília sem nenhum conflito mais grave, sem nenhum incidente mais grave.

O senhor acredita que podemos ter problemas sociais graves na cidade em virtude dessa polarização política no País? – Eu estou muito preocupado com Brasília. Por outro lado, todos os especialistas em direito eleitoral são unanimes em afirmar que o Ibaneis, numa eventual vitória, seria cassado, e haveria uma nova eleição em Brasília em um ambiente também de muita polarização e radicalização, porque o que ele fez, ninguém teve coragem até hoje de fazer. Foi algo muito explícito. Também acho que essa é uma outra causa para ele não ir aos debates, porque ele é tão arrogante que em cada manifestação que faz, vai se enforcando com a própria corda. Ele vai construindo provas contra si, com o abuso de poder econômico. Uma pessoa que chega na TV Globo e reitera: “eu vou construir casa com o meu dinheiro, se eu ganhar a eleição; e se eu não ganhar, eu não vou fazer nada; não estou nem ai”. Ou seja, ele mostra um desprezo enorme pela população Mostra que não existe sentimento humanitário nenhum em suas ações. Existe apenas o desejo de comprar o eleitor, através do abuso de poder econômico. Ele reitera isso nos debates com a sua arrogância e cria provas contra si mesmo.

O Ibaneis diz que vai cobrir o aumento de despesas com o reaquecimento da economia, aprovando projetos e desativando a AGEFIS, que, segundo ele é um empecilho para o setor produtivo… – É obvio que a AGEFIS não é um empecilho. E digo mais. Ele está dizendo nesse mundo da fantasia que ele está criando, além de ter prometido todos esses aumentos que dão mais de R$ 4 bilhões e que não agradariam professores, servidores da Saúde e outras categorias que não aceitariam receber muito menos do que os 37% da Polícia Civil, ele está dizendo que vai voltar o nível dos impostos de 2015. Com isso, ele reduziria em R$ 2 bilhões a arrecadação anual. Então, assim nós estamos criando um caldo de cultura muito perigoso, porque nós demoramos quatro anos fazendo todo o esforço para arrumar as contas. Se a gente tiver um nível de irresponsabilidade desse tipo, vamos ter, em seis meses, Brasília vivendo um caos.

Outro caminho que ele aponta é a regularização fundiária, para aquecer a construção civil. O senhor tem trabalhado nessa linha em algumas áreas, como em Vicente Pires, Sol Nascente, Arapoanga… – Nossas ações estão muito adiantadas: 63 mil pessoas já receberam suas escrituras no DF e mais 7 mil aderiram à compra direta da Terracap no processo de regularização de condomínios. Mas o candidato Ibaneis não tem interesse em promover a regularização em condomínios, porque ele tem vários terrenos irregulares em condomínios, inclusive prédio. Ele não tem interesse porque ele tem muito patrimônio oculto dentro desses condomínios. Na hora que ele regularizar, esse patrimônio vai ter que aparecer e deixar de ser oculto. Então, eu alerto também os moradores de condomínios, que são moradores de boa-fé, que viram a seriedade com que o governo está promovendo a regularização, pela porta da frente, que o candidato não terá interesse em fazer a regularização dos condomínios. Simplesmente porque ele tem terrenos em condomínios irregulares e isso aparecia no processo de regularização.

“Eu adotar uma posição a favor de Bolsonaro ou de Haddad contribuiria para essa radicalização nefasta para Brasília e para o Brasil”. Foto: Júlio Pontes

(Pergunta de internauta) – Como está a regularização do setor Arapoanga em Planaltina? – Lá é terra privada, mas o processo está adiantado na CODHAB. Me parece que eles vão fazer uma doação da parte que já foi ocupada pela população para dispor do restante da área e conseguir regularizar. Está bem adiantado.

Seria no atual governo ou no próximo mandato? – Nós vamos trabalhar para dar continuidade ao processo de regularização neste nosso governo. Não tenho condições aqui, sem as informações, de afirmar se seria neste ou no próximo governo.

Qual mensagem o senhor deixa para os nossos leitores e internautas para o próximo dia 28 e, caso se reeleja, qual a perspectiva para o futuro governo? – Eu diria que o dia 28 de outubro vai ser um momento muito importante na vida de Brasília. Nós não vamos votar apenas em um governador; nós vamos decidir qual futuro queremos para Brasília. Nós mostramos que é possível governar sem corrupção e com resultados. Mostramos que um governo sério, um governo equilibrado, um governo, sereno é muito importante para enfrentar um momento de turbulência política que o Brasil viveu, está vivendo e vai viver ainda, infelizmente, em função desse processo de radicalização. Então, é muito importante que as pessoas tenham muita consciência disso. Ao mesmo tempo, é importante pensar na estabilidade da cidade. Nós temos um candidato que está se passando de novo, mas na verdade é apenas um desconhecido que está aliado com o que há de pior na politica do DF e que, se eventualmente viesse a ser eleito, já viria com uma acusação muito grave de abuso de poder econômico e que, segundo todos os especialistas, tem uma chance enorme ou quase certa de ter o mandato cassado, onde existiria uma nova eleição, trazendo mais instabilidade política para o DF. Então, as pessoas precisam pensar!

 

E o que o senhor representa? – Quanto a mim, as pessoas já me conhecem. Fui deputado distrital, federal, senador, governador. Não respondo a nenhum processo. Enfrentamos um momento difícil da economia brasileira e do DF. Tivemos coragem de tomar as medidas necessárias para arrumar as contas. E eu tenho certeza de que hoje, com a experiencia que eu tenho, com as contas melhores, e com as pessoas que eu conheço, nós teríamos condições de fazer um governo muito melhor para Brasília e para os brasilienses.

 

É pensando nessa estabilidade da cidade que o senhor não se posiciona na disputa presidencial? Isso não macula de alguma forma a sua própria história de homem de esquerda? – Veja bem, Orlando. Eu sou de uma família muito grande. Somos 13 irmãos. Minha mãe tem 42 netos e 31 bisnetos. Eu vejo essa divisão na minha família. Quando o assunto política vem à mesa, nós temos um nível de radicalização que as pessoas brigam, gritam. Isso está dividindo as famílias, afastando os amigos. Está um nível muito alto de radicalização na política brasileira. O meu grande objetivo neste momento é unir Brasília com grandes projetos, com desenvolvimento econômico, distribuição de renda, criação de empregos, redução das desigualdades sociais, melhoria da qualidade dos serviços públicos, melhoria da qualidade de vida da população. Então, eu adotar uma posição nesse momento, a favor de um ou de outro, iria contribuir para essa radicalização nefasta para Brasília e para o Brasil. Por isso decidi ficar independente e reafirmar os valores que me acompanham desde sempre, da democracia, da redução da desigualdade social, do combate à corrupção, do respeito aos direitos humanos, do respeito à diversidade. Enfim, temas que me acompanham desde sempre na minha trajetória política e que foram conquistas muito importantes da população brasileira e que consolidam a democracia no Brasil.

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2 Responses

  1. Mas, ele só fala do outro. Cadê propostas de governo?

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