Réquiem

                   Que eu saiba, não houve qualquer homenagem póstuma ou registro na mídia local. Mas, no último dia 7 de janeiro, completou um ano que Brasília perdeu Maria da Conceição Moreira Salles, mais conhecida por Conceição, como gostava de ser chamada. Com a Fé um tanto quanto abalada (espero, a qualquer momento, receber alta da UTI espiritual), sinceramente não sei onde ela se encontra agora, mas, com certeza, em gozo de um merecido descanso num patamar celestial, levando-se em conta que não fez outra coisa em sua passagem por este planetinha senão semear bondades e irradiar alegrias aos seus semelhantes.
            Filha de família tradicional mineira, Conceição chegou a Brasília em 1966, apaixonando-se logo em seguida pela energia envolvente local, tornando-se desde então cidadã brasiliense por opção de amor, como tantos outros forasteiros, entre os quais me incluo. Por pura vocação, fez parte da primeira turma do curso de Biblioteconomia, da UnB. Diplomada, começou a trabalhar na Biblioteca Demonstrativa, ali 505 da W-3 Sul, uma extensão da Fundação da Biblioteca Nacional, onde permaneceria por 28 anos. Por méritos próprios, pouco tempo depois seria promovida a Coordenadora-Geral.

           Segundo a escritora Rosângela Vieira Souto, “a BDB tem o rosto de sua  saudosa coordenadora, que imprimiu à casa um perfil diferente de outras bibliotecas”. De fato, Conceição abriu as portas da Biblioteca Demonstrativa de Brasília a nobres e plebeus, promovendo noites de autógrafos de escritores famosos ou iniciantes; patrocinando eventos beneficentes, concursos literários, saraus musicais e tudo o que fosse ligado à cultura. Amava os livros e conhecia praticamente todos os escritores do DF pelos nomes e pseudônimos. À guisa de réplica, eles a consideravam amiga especial. No meu caso, idem. Quando comparecia para realizar alguma pesquisa, primeiro a visitava em sua sala, onde era recebido como se tivesse ganho o Prêmio Nobel de Literatura.

            Dia desses, ao passar defronte ao prédio da BDB, fiquei emocionado ao ver que aquele patrimônio cultural da cidade leva agora o seu nome no frontispício. Justa homenagem. Mas a verdade é que Conceição não morreu. Ela continua mais viva do que nunca na dolorida saudade de todos nós – Amém!


Por Fernando Pinto

Da Redação

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