“Quer morrer, seu filho da puta?”

Useiro e vezeiro da prática de agredir e ameaçar as pessoas, o ex-deputado federal e delegado aposentado Laerte Bessa (PL) voltou à cena na terça-feira (12). Ao chegar de uma viagem a Goiânia, Bessa solicitou uma comida a um serviço de dellivery.

Passava das 23h40 quando o motoboy chegou à portaria do Condomínio Wave, na Rua 18 da Avenida Castanheiras, em Águas Claras, com a encomenda. Cumprindo determinação do condomínio, o porteiro interfonou e pediu que o ex-deputado descesse para buscar a mercadoria.

O morador, no entanto, insistiu para que o mensageiro fosse até o apartamento 304, onde mora. Diante da negativa do funcionário, o ex-deputado, vestindo bermuda e camiseta e aparentemente com uma arma na cintura, desceu até a recepção. Não para apanhar a comida que mataria sua fome. Mas para agredir o porteiro e ameaçar matá-lo.

“E ai, filho da puta, quem é que não vai subir agora?, aproximou-se Bessa, com a mão direita na linha da cintura. “O síndico que não autorizou”, tentou justificar o trabalhador. “Ele é um bosta, e você também é”. “Então, mas eu não posso fazer”, balbuciou o rapaz.

Transtornado, Bessa esbofeteou o rapaz e, empurrando-o, questionou: “Cadê o cara? É você que tá com a comida aí?”. “É ele aí”, respondeu o porteiro, apontando para o motoboy. Mas o ex-deputado continuou o ataque: “Ô seu bosta, tô falando pra você deixar ele subir. Você quer morrer? Quer morrer? Eu te mato aqui agora, filho da puta”.

E insistiu: “Cadê o síndico? Chama ele, chama esse filho da puta lá, chama ele”. Conduzindo o motoboy, ordenou: “Bora subir lá. Sobe lá. Quero ver o macho que não vai deixar”. Novamente dirigindo-se ao porteiro, a quem já havia atingido com mais tapas e empurrões, esbravejou: “Seu cachorro, eu to falando com você. E vai chegar outro aqui. Se você falar isso de novo, eu vou te dar um tiro na cara, filho da puta. Bora, bora! Manda o síndico descer aqui agora. Liga pra ele ai, fala pra ele vir aqui agora”.

Humilhado e sem esboçar reação, o porteiro responde: “Tá vindo ai”. “Liga pra ele, que eu vou esperar ele aqui agora”. E volta-se para o entregador: “Pode subir lá, no 304, deixa lá”. Novamente insiste com o porteiro: “Vai, liga pra esse filho da puta, liga pra esse síndico ai”. “Ele não tá lá não. Ele tá descendo”.

Enquanto isso, os xingamentos não cessavam: “Você é um bosta, rapaz, você é um bosta. Pau mandado, rapaz. Falar que 23h não pode entrar aqui? Eu sou o cara mais amigo de todo mundo aqui. Você não pode fazer isso comigo não, seu cachorro, falar que não pode entrar depois das 23h. É porque você é um filho da puta”. E aponta para o entregador: “Pode subir, rapaz”.

Falando pelo interfone, o porteiro informa ao interlocutor: “Oi, ele tá aqui embaixo. Já me bateu aqui… Pois é, ele me deu um monte de murro aqui… Tá Ok”. Bessa insiste: “Cadê? Ele tá vindo?”. Tá, responde o rapaz. “Filho da puta, ele é um frouxo”. O porteiro tenta se afastar. “Onde você vai? Onde você vai, filho da puta? Busca lá sua arma, se você for homem. Busca sua arma. Vai lá buscar porque nós vamos trocar tiro aqui agora, filho da puta”.

“Você que é culpado, porque você é frouxo. Falar que não pode subir comida depois das 23h, não pode subir, então vou passar fome? Vou passar fome porque você não vai deixar subir minha comida, é, seu filho duma égua. Cadê esse síndico? Cadê ele, seu merda?”.

O síndico, identificado pela reportagem do Brasília Capital como Marcelo, sai do elevador. “Você que é o síndico? Seu filho da puta? Você me respeita. Pedi comida lá pra minha casa. Você e aquele outro filho da puta. Cachorro. Você me respeita, tá? Você arrumou uma confusão que você não precisava, tá? E vai chegar mais comida ai. Aqui pra você”.

Marcelo tenta esclarecer: “Não pode subir. É uma regra”. “Não pode? Eu quero ver você impedir. Subiu agora e vai subir mais. Aqui pra você”. Uma mulher tenta apaziguar: “Bessa, por favor”. Você também é um corno. E pode chamar a polícia se quiser. Liga pra polícia e manda vir aqui, tá? Filho da puta. Sai da minha frente. Sai da minha frente filho da puta” O ex-deputado pergunta para uma menina: “Tem mais comida pra chegar?”. “Tem. Um sushi”.

“Então vai chegar. Chegou ali. Você que trouxe sushi? Não vai subir não?”, e passa a desferir chutes e tapas no síndico. “Seu bosta”. “Para Bessa, por favor”, apela a mulher. Bessa leva a mão à cintura e ela grita: “Bessa, para! Bessa, por favor…

O ex-deputado prossegue a agressão e os xingamentos contra o síndico: “Filho da puta, ladrão, safado. Você é ladrão também, tá fazendo isso tudo ai na garagem, ladrão. Eu tô investigando você. Sou veterano, tá, seu filho da puta”! “Agora você vai na polícia fazer ocorrência. Você vai e registra a ocorrência”.

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