Quarenta e cinco presos tentam fugir do Complexo da Papuda no DF

 
Imagem de buraco aberto na ala B do Bloco 1, no Centro de Detenção Provisória do Complexo da Papuda, no DF (Foto: Sindpen-DF/Reprodução)
Imagem de buraco aberto na ala B do Bloco 1, no Centro de Detenção Provisória do Complexo da Papuda, no DF (Foto: Sindpen-DF/Reprodução)

 

Presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo da Papuda, no Distrito Federal, tentaram fugir na noite do último sábado (10). Segundo o presidente do Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias do DF (Sindpen-DF), Leandro Allan, 45 detentos tentaram sair do complexo por meio de um buraco no teto. Ninguém conseguiu escapar.

De acordo com Allan, a tentativa de fuga aconteceu entre 21h e 22h da noite de sábado. Os presos de três celas do bloco 1, ala B, do CDP conseguiram interligar os três cômodos. Em uma das celas, os detentos conseguiram abrir um buraco no teto.

“Eles utilizaram todos os objetos possíveis para fazer esse buraco. Lâminas de barbeador, escovas de dente, até mesmo pedaços de ferro da estrutura da própria prisão”, afirmou.

Segundo o presidente do sindicato, as três celas deveriam comportar quatro detentos cada uma, somando 12 presos ao todo. “O número de servidores é insuficiente para que não haja novas tentativas de fuga, rebeliões ou fugas efetivas”, afirmou. Cerca de 30 agentes conseguiram impedir que os presidiários escapassem.

De acordo com Allan, o DF possui 1,5 mil agentes penitenciários que são responsáveis por cuidar de 15,2 mil presos. “Há uma superlotação em todo o sistema penitenciário do DF. Cada agente tem que fiscalizar 112 presos por turno, quando a recomendação é que cada funcionário cuide de cinco presos”.

Ele afirma que o Bloco 1 do Centro de Detenção Provisória já deveria ter sido desativado. “O prédio foi feito de tijolo, ele é oco. Qualquer pessoa consegue fazer um buraco nele. Esse bloco era para ser utilizado como um ‘quebra-galho’ até que fosse construído um edifício adequado”, disse.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social confirma a tentativa de fuga, mas diz que o episódio envolveu 40 presos de duas celas, que teriam capacidade para 12 pessoas cada uma. A pasta diz que os detentos foram remanejados para outras celas e que “os internos envolvidos irão responder criminalmente por dano ao bem público.”

A nota diz também que a unidade passa por reforma, sendo que dois novos blocos foram inaugurados do CDP e quatro outros prédios estão em construção, com capacidade para 3,2 mil internos – inauguração prevista para 2017. Segundo a secretaria, foram investidos R$ 112 milhões na obra. O caso da tentativa de fuga será investigado.

 

Fuga em fevereiro
Dez presos fugiram da Penitenciária do Distrito Federal em fevereiro deste ano, depois de quebrar paredes, estourar cadeados e passar pelo alambrado. Para isso, usaram vigas das grades das celas como facas e tamparam as câmeras de segurança. Seis foram recapturados no mesmo dia.

Na época, o governo descarta a possibilidade de servidores terem facilitado a fuga, mas reconhece que houve falhas de segurança. A Polícia Militar reforçou com dois carros a segurança em pontos de acesso ao complexo.

Nas fichas policiais do grupo de foragidos constam crimes como homicídios, tráfico de drogas, associação criminosa, receptação e roubo. Dos dez fugidos, dois cumpriam pena em regime semiaberto e trabalhavam durante o dia, além de serem beneficiados com os saidões.

De acordo com a Subsecretaria do Sistema Penitenciário, a maioria dos recapturados foi encontrada nos arredores da QI 17 do Lago Sul. Helicópteros foram usados na operação. A PDF 1, onde eles cumpriam pena, abriga presos de regime fechado. Além dela, também ficam na Papuda a PDF 2, a Penitenciária Feminina, o Centro de Detenção Provisória e o Centro de Internação e Reeducação.

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