Quando o carnaval passar

Após a euforia, e declarado encerrado o floreio carnavalesco, terá sido apenas mais uma ilusão? Talvez. Mas ilusão levada a sério, deixa de ser ilusão para virar realidade. Que o digam as mina das Minas Gerais, que se deslocam, nesse período em que tudo parece ser somente festa, para trebendas e, em especial para o Rio de Janeiro, voltando das folias inadvertidamente enxertadas.

Advertidas até que podem ter sido, mas o furor carnavalesco, o ecstasy, o lança-perfume, as bolinhas (como eram chamadas outrora as drogas químicas), as famosas farmicinas e  outras coisas e até mesmo a fumaça, dos foguetes e de outras bombas, as fazem esquecer as recomendações materna, paterna, da vó e da tia,  e assim, vão dando, sem importar a quem, e o resultado dá no que dá: o índice de natalidade mineiro se acentua nos meses de outubro/novembro de cada ano, segundo a voz popular do anedotário mineiro, aumentando assim as estatísticas de filhos bastardos e de mães solteiras, cujas fileiras se vêem nada pequenas.

E a culpa não deve ser atribuída somente aos cariocas, que com suas falas mansas e chiadas catam e pegam, sem dó, as incautas e jovens cidadãs, e até mesmo as coroinhas carentes do que lhes falta em sua terra. Como o Rio é lugar universal, para lá acodem gringos, africanos, italianos, cearenses e paraíbas, muitos doidões dos mais variados e distantes rincões, que não deixam escapar as delícias, pouco importando as origens, e, dada a pressa e o não comprometimento, deixam rolar de tudo sem que adotem as precauções de estilo. Assim, na melhor das hipóteses, o resultado é a fatal fertilidade.

É, aquela velha história de não dar a César o que lhe pertence, mas sim o que ele pede e pretende, resulta nesses inconvenientes, digamos assim. E César, que malha, é sarado, tem fama de pegador, é como o carcará, ave de rapina de que falou o compositor maranhense João do Vale, a quem parafraseio: pega, e ainda que não mate, come.

As mina de Minas e a cidade do Rio de Janeiro foram apenas e tão somente um exemplo ilustrativo. Na verdade, são as mina de todo o país e, porque não dizer, de além-fronteiras. Todas, ou quase todas, incorrem nesse pecado e pagam por ele, muitas das vezes um preço altíssimo.

As mina da Bahia, de São Paulo e dos demais estados, sejam das capitais ou dos interiores, salvo raras exceções, parecem mesmo fadadas a esse tipo de situação. E não dá outra: Cesar, que poderia ter qualquer outro nome, é o bicho. É o cara. Então às mina não resta alternativa, como no outro dito popular: se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come.

Contudo, um bom carnaval.

 

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