Qual deles é a nova política no DF?

Ibaneis se apresenta como outsider, um nome fora da política, mas é atacado por pertencer ao partido de Michel Temer e Tadeu Filippelli. Foto: Júlio Pontes

A busca de votos no segundo turno da eleição para governador do Distrito Federal passará pela conquista de um título: o de representante da nova política. O candidato Ibaneis Rocha (MDB) aparentemente saiu na frente. Foi o campeão do primeiro turno, com 634.008 votos, o equivalente a 41,97% dos votos válidos.

Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), Ibaneis se apresenta como outsider. Começou a campanha como desconhecido. Tinha apenas 2% das intenções de voto, mas chegou no dia 7 de outubro com chances de liquidar a fatura ainda no primeiro turno. Como não conseguiu, terá que enfrentar nova batalha no dia 28.

Mas, dizem os especialistas, segundo turno é outra eleição. Embora ostentando altas taxas de rejeição, Rodrigo Rollemberg (PSB), com 210.510 votos, ou 13,94% do total válido, obteve passaporte para polarizar com o emedebista e defender a continuidade de sua gestão. E partiu para o ataque desde o primeiro dia.

O governador tenta colar no adversário a marca da velha política, representada, segundo ele, por correligionários de Ibaneis, como o presidente Michel Temer e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli, que não conseguiu se eleger deputado federal.

De quebra, Rollemberg exibe, com orgulho, seus aliados. Entre eles, a recém-eleita senadora Leila Barros (PSB), sua ex-secretária de Esportes; seu vice, Eduardo Brandão, presidente local do PV; o deputado distrital Chico Leite (Rede), derrotado na corrida ao Senado; e a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia, que também perdeu a disputa para deputada federal.

Após equilibrar as contas do GDF, Rollemberg acena com aumentos para o funcionalismo público em caso de obter um segundo mandato. Foto: Renan Baffi

 

Rollemberg exibe governo sem corrupção

O governador Rodrigo Rollemberg insiste num discurso que deveria ser velho, mas, para os padrões políticos de Brasília nos últimos anos, soa como novidade: um governo atravessar quatro anos sem se envolver num grande escândalo de corrupção.

Desde 2009, investigações como a Bezerra de Ouro, que fez o ex-governador Joaquim Roriz, falecido recentemente,  renunciar ao mandato de senador; a Caixa de Pandora, que levou à prisão o ex-governador José Roberto Arruda; e a Operação Panatenaico, que prendeu o ex-governador Agnelo Queiroz e o vice Tadeu Filippelli por desvios na obra do estádio Mané Garrincha, envergonharam a Capital da República. Sem contar a Lava Jato, na qual está preso até hoje o ex-senador Gim Argello.

Caberá a Rollemberg, nos próximos quinze dias, convencer a maioria dos eleitores brasilienses de que, além de arrumar as contas – ele alega ter recebido um caixa com rombo de R$ 6,5 bilhões –, seu governo teve méritos.

Entre eles, obras estruturantes, como o Trevo de Triagem na saída norte de Brasília; investimentos que debelaram a crise hídrica; regularização de lotes e implantação de infraestrutura em áreas como Sol Nascente, Pôr do Sol e Vicente Pires, e melhorias por todo o Distrito Federal, com destaque para cidades de Taguatinga e Águas Claras.

De acordo com os estrategistas das duas campanhas, Rollemberg e Ibaneis intensificarão o corpo a corpo com a população. O governador quer mostrar que merece ficar mais quatro anos à frente do GDF para concluir um ciclo virtuoso que inclui mais investimentos em áreas estratégicas, como Saúde, Segurança e Educação.

Rollemberg ainda acena com aumentos salariais para diversas categorias de servidores públicos que, segundo ele, não foram concedidos por falta de dinheiro. Já Ibaneis insistirá em mostrar a ineficiência da gestão do oponente. Baterá na tecla de que, se não fez em quatro anos, é porque não saberá fazer nos próximos quatro.

Caberá às urnas de 28 de outubro responder: afinal, qual a novidade Brasília elegerá para comandar seus destinos a partir de 1º de janeiro de 2019.

Apoios – Entre os candidatos ao GDF derrotados no primeiro turno, apenas Rogério Rosso (PSD) declarou apoio na segunda rodada a Ibaneis Rocha (MDB). Já Rollemberg (PSB) poderá ser apoiado por Fátima Sousa (PSol), desde que assuma “compromisso público contra o autoritarismo e retirada de direitos, representados na candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL)”. Mas o PSol não emitiu nova opinião após o candidato à reeleição declarar-se neutro na disputa.

Eliana Pedrosa (Pros), General Paulo Chagas (PRP), Antônio Guillen (PSTU), Júlio Miragaya (PT) e Alexandre Guerra (Novo) não se posicionaram. Guerra não votará em Ibaneis. “A candidatura do advogado foi construída em cima do dinheiro, da vaidade e da mentira”, justificou. E relembrou que Jofran Frejat (PR) desistiu da candidatura por não ter “estômago” em lidar com a turma que está com Ibaneis. Alberto Fraga (DEM) e Renan Rosa (PCO) não apoiarão nenhum dos dois. Ibaneis não expôs seu voto para presidente, mas deu declarações de que é mais próximo das ideias de Bolsonaro.

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