Professor do DF é finalista do “Nobel da Educação”

Francisco Celso é professor de história do Centro de Ensino da Unidade de Internação de Santa Maria (DF). Foto: Divulgação

O professor de História do Centro de Ensino da Unidade de Internação de Santa Maria (DF), Francisco Celso, é um dos 50 finalistas do prêmio Top 50, do Global Teacher Prize 2020, considerado o “Oscar da Educação”. Além dele, no Brasil, foram escolhidos a professora de Educação Especial e Língua Portuguesa DoaniEmanuela Bertan, da Escola Pública Municipal Ricardo Junco Neto (São Paulo)e da E.M.E.F. Júlio de Mesquita Filho(Campinas-SP); e a professora Lília Melo, da Escola Brigadeiro Fontenelle, de Belém (PA). 

Francisco Celso, professor da rede pública de Brasília, é especialista em educação inclusiva e criador do Projeto Rap (Ressocialização, Autonomia e Protagonismo). É uma alusão ao gênero musical rap (do inglês, Rhythm and poetry– ritmo e poesia). Utiliza o rap como ferramenta pedagógica. Ele foi ressignificado para a realidade da socioeducação na Unidade de Internação de Santa Maria como “Ressocialização, Autonomia e Protagonismo – RAP”. 

“A gente entende que precisa fazer uma abordagem menos tradicional e mais próxima da realidade dos socioeducandos. Não só abordagem pedagógica, mas cultural, também próximo da cultura deles, que é a cultura urbana, de rua, movimento hip hop. Essa foi a grande sacada do projeto”, diz o professor.

US$ 1 milhão – O Top 50 do Global Teacher Prize é uma premiação internacional dos melhores professores do mundo promovida pela Varkey Foundation. A entidade premia, anualmente, com US$ 1 milhão, um professor excepcional que fez uma excelente contribuição para sua profissão.

“Já venho passando por um processo de reconhecimento. A gente ganhou o prêmio local do Itaú Unicef 2017; em 2018, a gente ganhou as etapas local e nacional do mesmo prêmio. Agora, em 2020, a gente foi campeã do Selo de Práticas Inovadoras na Educação Pública do Distrito Federal”, informa. 

O professor diz que as competições sempre chegam por e-mail e ele se inscreve em todas. “Fiz a inscrição em setembro de 2019 e, agora, para surpresa, recebi a notícia de que estou entre o Top 50”, conta.A premiação ainda está em curso.

Embaixador – A Varkey Foundation já selecionou e divulgou a lista com os 50 melhores professores do mundo. Dentre esses, vão escolher o Top 10. Esses 10 selecionados irão para Dubai, nos Emirados Árabes, para a cerimônia de premiação, e lá será anunciado o campeão. O vencedor só será revelado em outubro. “Só de estar entre os 50 finalistas já me tornei um embaixador da Varkey Foundation no Brasil”, comemora Celso. 

“Outros professores da rede pública do DF também já foram agraciados em anos anteriores com diversos tipos de prêmios nacionais e internacionais. Isso mostra a competência, a eficiência e a eficácia da atuação dos professores das escolas públicas do DF”, avalia a pedagogaRosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.

Projeto RAP – O projeto começou em 2015, quando Francisco Celso passou a atuar no sistema socioeducativo. “Sou professor de história e percebi que os estudantes não se enxergavam nas histórias contadas nos livros didáticos, mas se viam nas letras das músicas de rap. Então, comecei a usá-las como ferramenta pedagógica. O rap é um ritmo presente na juventude preta, pobre e periférica, o perfil dos socioeducandos da UISM”.

Os estudantes elaboraram projetos próprios. Enquanto isso, o professor também construiu parcerias e o projeto ganhou corpo e já tem dois livros publicados, várias músicas gravadas evideoclipes. Um deles é o “18 Razões. Pela não redução da maioridade penal”, exibido no 52º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro.

“O Projeto Rap vem abrindo portas para os egressos do sistema socioeducativo. Além de a gente fazer esse trabalho lá dentro, acompanhamos esses jovens após eles saírem do sistema para ajudar aressocializá-los”, diz o professor.

Os egressos do sistema socioeducativo já participaram de seminários e outros eventos. Abriram o II Simpósio Nacional da Socioeducação; se apresentaram na Procuradoria Geral da República e têm se apresentado em saraus, batalhas, rimas e poesias. Estão no circuito do hip hop do DF, fizeram a campanha publicitária nacional do Conselho Federal de Química pelos 150 Anos da Tabela Periódica e produziram a música “Rímica”.

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