Produtos de beleza prejudicam saúde das crianças

O avanço do mercado de cosméticos no país tem antecipado, cada vez mais, o uso desses produtos pelas crianças, principalmente as meninas, que já pintam unhas e cabelo e usam maquiagem. A Sociedade Brasileira de Dermatologia tem reiterado a contraindicação do uso frequente dessas substâncias em menores de 12 anos porque podem causar graves problemas de saúde.

Segundo o dermatologista do Hospital Materno-Infantil de Brasília (HMIB), André Luís Ferreira Guimarães, o sistema imunológico da criança ainda está em formação e não consegue lidar com algumas substâncias químicas. Tal fator pode causar alergias, dermatites, queimaduras e até câncer.

“Muitos pacientes com esses sintomas procuram o hospital por causa do uso indevido desses produtos. O esmalte, por exemplo, é o maior causador de alergia nas pálpebras, e o alisamento pode provocar dermatites agudas e até o câncer”, relatou o especialista.

Com os meninos não é diferente. O uso contínuo do gel e as famosas tatuagens de hena, feitas principalmente no período de férias, são grandes desencadeadores de inflamações na pele.

“Já atendi casos de crianças com queimadura de segundo grau por causa de tatuagem de hena. É muito comum atendermos casos assim”, detalhou Guimarães.

Mãe de duas meninas, uma de 4 anos e outra de 7, a técnica administrativa Karina Greco reclama que as filhas querem levar maquiagem para o colégio, mas enfatiza que não deixa, por achar o uso precoce.

“Essa idade é para brincar e não para usar esses produtos. Fico apreensiva porque elas trocam de maquiagem com as amigas e podem pegar alguma doença uma das outras”, contou a servidora.

Segundo a psicóloga da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Marina Kohlsdorf, esse tipo de dilema dos pais é comum, já que a vaidade faz parte da construção da autoestima das crianças. Mas ela lembra que, quando isso for exacerbado, pode encurtar a infância e causar dores físicas e psicológicas aos menores.

“Muitas vezes tentamos nos moldar a um padrão de beleza que não é o do brasileiro, mas que é vendido pela mídia – loiro, alto, olho claro, magro, cabelo liso – e acabamos submetendo os nossos filhos a verdadeiros processos de tortura, além de afetarmos a autoestima deles”, destacou Marina Kohlsdorf.

A psicóloga explicou também que é muito difícil os pais barrarem toda influência vinda da escola ou da televisão. A solução seria tentar negociar com os filhos e indicar situações ou dias específicos para usar o cosmético, além de estimular a apreciação de vários tipos de beleza.

“Os pais devem criar o contraponto em casa, já que não irão conseguir frear toda influência. Colocar limites ajuda a evitar casos como esses. Outro fator importante é mostrar aos filhos que eles já são bonitos naturalmente e que não precisam mudar”, concluiu a profissional.

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