Procuradores acusam deputados de acabar com Operação Lava Jato

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                       Deltan Dellagnol: “Golpe mais forte desferido contra a Lava Jato em toda a sua história”  

                                                               (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

 

A força-tarefa integrada por procuradores pode deixar a operação Lava Jato se o Congresso Nacional aprovar emendas ao pacote de medidas contra a corrupção aprovadas na madrugada desta quarta-feira, 30, pela Câmara dos Deputados. Ou se, aprovadas, sejam sancionadas pelo presidente Michel Temer.

Em entrevista coletiva também nesta quarta-feira, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima foi claro: “Nossa proposta é de renunciar coletivamente”. Já o procurador Deltan Dellagnol, coordenador da Lava Jato, classificou as alterações aprovadas pelos deputados federais como o “golpe mais forte deferido contra a Lava-Jato em toda a sua história”.

Chapecoense –  Em nota, os procuradores da Lava-Jato acusaram a Câmara de se aproveitar do acidente aéreo com o time da Chapecoense para “subverter” o projeto de iniciativa popular. Eles dizem que as dez medidas anticorrupção foram “rasgadas” pelas alterações aprovadas de madrugada.

“Aproveitando-se de um momento de luto e consternação nacional , na calada da madrugada, as propostas foram subvertidas. As medidas contra a corrupção , endossadas por mais de 2 milhões de cidadãos, foram pervertidas para contrariar o desejo da iniciativa popular e favorecer a corrupção por meio de intimidação do Ministério Público e do Judiciário”, escreveram.

Colarinhos brancos

Com esta decisão dos deputados, avalia os membros do Ministério Público, “manteve-se a impunidade dos corruptos e poderosos”. Avaliam também que a mensagem à sociedade foi: “persigam os juízes e promotores e soltem os colarinhos brancos”.

O texto-base do pacote que reúne um conjunto de medidas anticorrupção foi aprovado pela Câmara dos Deputados dessa terça-feira (29), por 450 votos a 1 (três abstenções). Mas durante a madrugada desta quarta-feira (30), os deputados aprovaram diversas.

As modificações ao texto que saiu da comissão especial, incluíram temas polêmicos como a punição de juízes e membros do MP por crime de responsabilidade. A previsão havia sido feita pelo relator das medidas, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), em seu parecer, mas retirada por ele mesmo posteriormente. O texto segue agora para o Senado Federal.

Intimidação

 “Se for aprovada, a proposta será o começo do fim da Lava Jato. A força-tarefa da Lava Jato reafirma seu compromisso de trabalhar enquanto for possível”, disse Deltan Dallagnol. “Não será possível continuar trabalhando na Lava Jato se a lei da intimidação for aprovada”, acrescentou.

 De acordo com Dellagnol, a Câmara enfraquece o combate à corrupção, e isso acontece no momento em que a Lava Jato chega perto de pessoas do poder. “O objetivo é estancar a sangria. Há evidente conflito de interesses entre o que a sociedade quer e o que o parlamento quer. Se instala a ditadura da corrupção.”

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