Primeira mulher reitora da UnB: Márcia Abrahão toma posse

 

Reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, em entrevista antes da cerimônia de posse no cargo (Foto: Luiza Garonce/G1)
Reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, em entrevista antes da cerimônia de posse no cargo (Foto: Luiza Garonce/G1)

 

A diretora do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB) Márcia Abrahão tomou posse nesta quinta-feira (24) como primeira mulher reitora da instituição. Márcia vai comandar a UnB até 2020 e tem o professor Enrique Huelva como vice-reitor. O mandato do último reitor, Ivan Camargo, terminou no último sábado (19).

Durante a posse, na tarde desta quinta, Márcia falou da “alegria e responsabilidade” que o desafio representa. “A mulher, com todas as dificuldades que enfrenta, em casa e no trabalho, pode chegar aos mais altos cargos de liderança. Mas é preciso mostrar resultados”, declarou.

A posse ocorreu em meio ao processo de ocupação em pelo menos 15 prédios da UnB, iniciado no último dia 31 – quando estudantes aprovaram proposta em assembleia e tomaram o prédio da reitoria. Por causa da ocupação, a cerimônia de posse “migrou” para um anfiteatro no Instituto Central de Ciências, o maior prédio da UnB.

Ao comentar as manifestações, Márcia disse ser necessário que todas as categorias voltem ao trabalho e cumpram o calendário acadêmico. “Minha função é fazer com que o semestre termine. […] Vamos dialogar com todos eles, entender as pautas e demandas e buscar uma solução pacífica”, disse.

Segundo ela, as negociações com os estudantes das ocupações começaram nesta quarta (23). Márcia não informou se os primeiros encontros já resultaram em algum avanço na desocupação dos espaços.

“Minha conduta tende para o apaziguamento. Não defendo nem um lado, nem um outro para não acirrar posições”. Ela afirma que pretende trazer harmonia às discussões que costumam mobilizar a universidade sobre temas diversos. “Divergências fazem parte do mundo acadêmico, é natural que pensemos de maneira diferente”, disse.

Uma das principais pautas dos manifestantes é a oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que tramita no Senado e estabelece um teto para os gastos públicos nos próximos 20 anos. Questionada sobre o tema, Márcia disse estar otimista em relação aos investimentos futuros na UnB.

“Estive com o ministro da Educação [Mendonça Filho] em uma reunião na tarde de hoje e ele me garantiu, do meu lado, que não vai cortar o orçamento”. Ela afirmou que, por enquanto, a universidade “vai conseguir utilizar todos os recursos”.

 

Fachada do pavilhão Anísio Teixeira, da UnB; prédio também foi ocupado por estudantes (Foto: Alexandre Bastos/G1)
Fachada do pavilhão Anísio Teixeira, da UnB; prédio também foi ocupado por estudantes (Foto: Alexandre Bastos/G1)

 

Protesto
Durante a cerimônia, um grupo de estudantes se apresentou como o Diretório Negro da UnB, ou “Quilombo”, e pediu a palavra. Ao microfone, um dos jovens pediu que alunos, servidores e terceirizados negros se juntassem para levantar questões raciais e culturais dentro do ambiente acadêmico.

“Esperamos que a própria senhora venha conversar com a gente para saber as nossas demandas […]. O Centro de Convivência Negra precisa ser toda a universidade, que é um ‘centro de convivência branca”. O estudante foi aplaudido, parabenizou Márcia Abrahão pela eleição e disse esperar “estar aqui na posse do próximo reitor negro”.

 

Outras pautas
Como ex-aluna e mulher, Márcia afirmou estar comprometida com a segurança nos campi, especialmente das alunas. O caso da estudante de biologia Louise Ribeiro, de 20 anos – desmaiada em março dentro do campus Darcy Ribeiro e assassinada nos arredores da UnB – foi lembrado como exemplo de falta de segurança. O feminicídio ocorreu por volta das 22h, quando a iluminação dos prédios, estacionamentos e áreas verdes ficam reduzidas.

Segundo a reitora, a luz artificial – ou a falta dela – é uma das principais causas da sensação de insegurança à noite e precisa ser melhor distribuída. Em alguns pontos da universidade, os postes que existem estão com lâmpadas queimadas.

Márcia também citou a baixa oferta de ônibus que circulam dentro dos campi. De acordo com Márcia, os percursos precisam ser repensados e há prédios que sequer são atendidos – a Casa do Estudante Universitário (CEU), por exemplo, não tem transporte público à noite e nos fins de semana.

Para colocar essas medidas em prática, a reitora disse que pretende ampliar parcerias com o GDF. “Estive com o governador [Rodrigo] Rollemberg e conversei sobre a necessidade de redefinir os horários dos ônibus que passam dentro do campus e onde eles param”, afirmou. “Não podemos deixar nossos alunos em situação de vulnerabilidade.”

A reitora também afirmou que vai simplificar os procedimentos administrativos e dar maior celeridade ao planejamento e à execução de obras. Ela também falou em modernizar os sistemas operacionais, que considera um “gargalo” da instituição.  “Os alunos ainda têm que carimbar e assinar declaração para fazer a matrícula”, explicou.

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