Previdência Privada continua valendo a pena?

Os clientes de produtos de previdência privada estão começando a perceber que seus investimentos estão virando um mico. Com as taxas de juros mais baixas que o Brasil já teve, e com taxas de carregamento e de administração que os fundos de previdência privada cobram, não está difícil observar que muitos destes fundos já apresentam renda mensal negativa, mesmo aqueles que só possuem aplicações conservadoras. Mesmo os que não estão negativos, estão perdendo de longe da inflação e das aplicações de renda fixa.
Isto se dá porque a estrutura da previdência privada brasileira foi montada para sobreviver com taxas de juros na ordem de 12% ao ano ou mais. Como a taxa foi caindo de forma gradativa, só mesmo os olhares mais atentos perceberam o que estava acontecendo com os fundos, tanto é que a demanda pela previdência privada continua em rota crescente. Aos níveis de juros atuais, muitas pessoas investem seus recursos e acabam o mês com menos dinheiro do que colocaram, vindo a recuperar, muitas vezes, somente com a passagem de muitos meses ou até anos. Há fundos com taxa de carregamento (que incide sobre o montante depositado) de 4,5%… Para recuperar este valor, o dinheiro precisará ficar parado bastante tempo, e só então começará a render.
Hoje, as pessoas já estão despertando desta inércia, e exigindo de seus administradores de previdência a migração para fundos com menores taxas de carregamento e de administração. Quem não fizer isso perderá muito dinheiro, uma vez que as aplicações de previdência costumam ser de longo prazo, ou seja, fica-se muito tempo com o dinheiro nesta situação.
Além disso, há de se considerar que, com os juros mais baixos, o volume poupado precisará ser muito maior para garantir a mesma aposentaria no futuro. Há alguns poucos anos atrás, os simuladores dos bancos utilizavam taxas mais altas, o que acabava por informar às pessoas uma previsão de pensão futura muito maior do que a simulada hoje. Por exemplo, num plano de previdência sem investimento inicial, onde uma pessoa contribua com R$ 500 mensais durante 30 anos, a pensão vitalícia futura ficaria em R$ 7.772,81 a uma taxa de 12% ao ano. Hoje, com a taxa na casa dos 8%, a mesma contribuição mensal resultará numa aposentadoria de R$ 3.627,30, menos da metade que o número anterior (fonte: Brasilprev).
Com rentabilidades líquidas tão baixas, já há quem esteja investindo por conta própria visando a aposentadoria, colocando seu dinheiro em renda fixa, aplicações no tesouro direto e em imóveis. A decisão de investir num plano de previdência parece estar cada vez mais voltada para pessoas com pouca disciplina financeira, que precisam obrigar-se a pagar mensalmente uma prestação. Esta indisciplina hoje está custando bem caro. A aplicação direta, além da melhor rentabilidade, trás também para o seu bolso os ganhos que as instituições cobram. A longo prazo, isto representa muito.
Não pretendo desestimular quem tem ou pretende ter um plano de previdência privada. Mas é muito importante que cada caso seja estudado, de preferência com a ajuda de um especialista, antes de tomar uma decisão de entrar ou sair de um plano. Há outros fatores envolvidos, tais como o incentivo fiscal (para quem faz imposto de renda pela declaração completa), benefícios de risco que as instituições oferecem para os casos de morte e invalidez, bem como outras características inerentes a cada indivíduo. Somente com todos os dados analisados, será possível fazer a melhor escolha. Procure orientação para não perder dinheiro!
*Por Marcelo Maron
(*) Graduado em Administração de Empresas pela PUC-RJ, MBA Executivo pelo IBMEC-RJ, Mestre em Economia Empresarial pela UCAM-RJ, Especializações na Stanford School of Business e Harvard Business School

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