Polícia investiga presidente da Fibra

Jamal Bittar, presidente da Fibra. Foto: Júlio Pontes

A Polícia Civil investiga um possível desvio de R$ 250 mil dos cofres da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra). O dinheiro, segundo inquérito público – não há segredo de Justiça – que corre na 10ª DP (Lago Sul), teria sido pago a um escritório de advocacia para cobrir, com recursos da entidade, despesas com causas particulares do presidente Jamal Jorge Bittar.

Notícia-crime – O inquérito foi instaurado em 31 de março de 2016 para apurar notícia-crime. Encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o processo de 160 páginas foi devolvido no dia 7 de maio, pela promotora de Justiça Vivian Caldas,à 10ª DP. A delegacia terá mais três meses para cumprir diligências policiais. Entre elas, colher o depoimento de duas testemunhas.

Acertos – Na notícia-crime, Wilson Lobo Marques Filho, que em 2014 colaborou na campanha de Jamal à presidência da Fibra, assegura que houve acertos, no final de 2015, para pagamento de honorários aos advogados Francisco Queiroz Caputo Neto e Terence Zveiter, no valor de R$ 350 mil, R$ 100 mil a mais do que o valor da nota fiscal em poder da polícia. E que se trata de dívida particular de Jamal.

Moquifo – Wilson Lobo garantiu à polícia, em 2 de fevereiro de 2016, que presenciou o “acerto” entre Jamal e os dois advogados. Chegou a afirmar, no depoimento, que o presidente da Fibra “nunca poderia arcar com os honorários, pois sua fábrica é um verdadeiro ‘moquifo’, conforme comprovam as fotografias anexas”.

IEL – A oposição, que perdeu a campanha para Jamal, mantém processo na Justiça do Trabalho para a anular a eleição. No processo, há informação de que R$ 250 mil pagos aos advogados saíram do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), vinculado à Fibra, ao Sesi e ao Senai.

Ataque – Ouvidos pela polícia, o presidente da Fibra e os advogados negam as irregularidades. Argumentam que os serviços foram, realmente, prestados à Federação. Procurado pela reportagem, Jamal não respondeu aos questionamentos encaminhados acerca do processo. Preferiu atacar o jornal. “O Brasília Capital deixou óbvia a falta de interesse em me ouvir (…)”. “As matérias publicadas são encomendadas e com impressões digitais”.

Nota da Redação– O Brasília Capital reitera seu compromisso com a verdade. Desde o ano passado, o jornal tem publicado denúncias contra o presidente da Fibra baseado em documentos e depoimentos de fontes que, às vezes, por temer represálias, pedem para ser preservadas. Em todas as ocasiões buscamos a versão de Jamal Bittar. No entanto, em nome do bom jornalismo, jamais deixamos de dar publicidade aos fatos. E esta continuará sendo a nossa prática. Doa a quem doer.

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