Pokemon Go: jogo eleva risco para usuários, explicam especialistas

Pokenmon go Foto Rebeca Santos
Pokemon Go. Foto: Rebeca Santos

 

Apanhar o celular e tentar observar um ponto à frente. Mirar o próximo e começar tudo de novo. As ruas da cidade são mapeadas. A cada passo, eles se perguntam: onde estará o próximo diabinho de bolso? O comportamento social dos adeptos do aplicativo Pokemon Go, lançado no dia 3 de agosto no Brasil, já é tema de debate de pesquisadores de diferentes campos, considerado uma febre em todo o mundo. Para especialistas, trata-se de um fenômeno que podem acarretar problemas e riscos para os usuários.

Segundo a psicóloga Amália Raquel Perez, diferente do Whatsapp, Facebook e InstagramPokemon GO promove uma interação social muito baixa por ter um objetivo vago e fugaz. “O Whatsapp tem a perspectiva de interação social, assim como oFacebook de permitir ficar sabendo do que está acontecendo. Eles estão lá para uma demanda social, um comportamento reativo”, disse a psicóloga. Ter um animal de estimação e passear com ele na rua, por exemplo, promoveria até uma melhor interação social entre as pessoas, segundo a psicóloga. “Sabemos o quanto é produtivo para a saúde mental ter um cachorro, por exemplo. Para juntar as pessoas poderia ser o Pokemon Go ou qualquer outra coisa.”

 

Gravidade

Para o historiador Frederico Thomé, mestre em ciências sociais, trata-se de um fenômeno curioso, mas não isolado com o aumento da conexão das pessoas.  “O mais grave é passar mensagens dirigindo. Está acentuando a tendência de ficar 24 horas conectado ao celular. E esse jogo junta à característica de sentimentalidade com o Pokemon da Década de 1980. “Talvez daqui uns meses possa arrefecer. Com isso, não está dando atenção à questão de segurança”.

O professor vê com muito preocupação o fato de que a privacidade pode estar em jogo. “Isso é mais do que uma teoria da conspiração. Parece-me real. Essas fotografias feitas a partir do jogo podem estar disponíveis em um banco de dados e servir a empresas. Não sabemos o que essas empresas farão com essas informações”. Tomé lamenta o fato de que ainda as pessoas têm  dirigido automóveis e conectados ao celular. “Esse jogo é mais indício de uma relação cada vez mais próxima dos equipamentos com as pessoas”.

 

Estresse

O uso de jogos eletrônicos para a restauração pessoal do processo de estresse e servir como uma excelente válvula de escape de recuperação da atenção, desde que usado controladamente, segundo Amália Perez. “Um ambiente natural, com vista livre, é ótimo para esse descarrego do stress”. A psicóloga complementou que o Pokémon GO leva o jogador para esses bons ambientes para concentração, mas não consegue necessariamente fazer os jogadores olharem a natureza.

Amália Perez enxerga que existe um viés de negatividade e um desserviço do aplicativo em colocar o espaço publico como um local perigoso e disse que as pessoas têm medo de permanecer nesses lugares. “Então, quando se tem pouca ocupação dos espaços públicos e existe algo que promove a ida a esses locais como o Pokemon Go, o aplicativo se torna muito interessante”.

A psicóloga ainda indicou que há outros caminhos de promoção do espaço público que não seja dependente de um aplicativo, como um espaço pra cães e gatos ou a reforma nos parquinhos abandonados da capital. “Claro que via aplicativo é tudo mais rápido e fácil do que uma reforma, por exemplo, mas existem outros caminhos para essa promoção”.

 

Usuários

O estudante de direito Yuri Gomes, de 24 anos, se transformou em fã da tecnologia. “A acessibilidade, uma tecnologia diferente como a realidade aumentada e a exploração são o que mais me chamou atenção no jogo”, disse o universitário enquanto procurava mais Pokemons.

Já a estudante de arquitetura de 19 anos, Marcella Queiroz, falou mal do aplicativo e apontou como uma das piores coisas que já lançaram no Brasil. “Para mim não faz sentido sair e ficar procurando algo que não existe”.

Por João Victor Bachilli

Foto: Rebeca Santos 

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