Planilhas comprometem Telma Rufino

Planilhas apreendidas pela Polícia Civil na casa da deputada Telma Rufino (PPL) mostram que ela teria gasto R$ 2,987 milhões na campanha de 2014, enquanto a despesa declarada por ela à Justiça Eleitoral foi de R$ 592.184 — cinco vezes menos. Os documentos particulares mostram ainda que, nas eleições de 2010, a candidata teve uma despesa de R$ 251 mil, mas o total declarado ao TSE foi de R$ 83.557,62 — discrepância de 301%.

A defesa da parlamentar alega que os documentos se referem a projeções de gastos para os dois pleitos. A assessoria de imprensa afirma que o total arrecadado e os gastos foram inferiores aos valores projetados inicialmente. Segundo a advogada da deputada, Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, as planilhas são documentos particulares que não comprovam os gastos.

As planilhas fazem parte do inquérito da Operação Trick, deflagrada no dia 30 de abril, cujo inquérito está no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Na primeira etapa, policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Telma Rufino e do ex-diretor do Transporte Urbano do DF (DFTrans), Marco Antônio Campanella. As próximas fases prometem revelar a participação de outros políticos. A investigação conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf) envolve 55 empresas fantasmas e 19 estabelecimentos reais.

Telma RufinoOs envolvidos na organização criminosa criavam empresas falsas com o intuito de pedir empréstimos ao Banco do Brasil, mas não pagavam pela operação, já que os estabelecimentos não existiam. Os pedidos variavam entre R$ 800 mil e R$ 1,4 milhão. De acordo com a investigação, Telma Rufino teria, inclusive, se aproveitado do esquema para comprar diplomas falsos de graduação e pós-graduação em uma faculdade em Águas Claras.

A situação da deputada é desconfortável. Telma sofreu um infarto em 1º de agosto, um dia antes de o diretório nacional do Partido Pátria Livre julgar o pedido de expulsão da distrital por causa do seu suposto envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro para financiamento de campanhas eleitorais. A Comissão Executiva aprovou a saída de Telma, mas o caso será analisado no dia 29 de agosto pela Comissão de Ética. Caso seja expulsa, a parlamentar pode perder o mandato por infidelidade partidária. A licença médica da parlamentar terminou na quinta-feira (20).

O secretário nacional do PPL no Centro-Oeste, Roberto Bittencourt, explicou que o parâmetro para pedir o afastamento da parlamentar foi a suposta ligação dela com Edigard Eneas, subsecretário de Qualificação e Capacitação Profissional da Secretaria do Trabalho do GDF na gestão Agnelo Queiroz (PT). Para Bittencourt, não restam dúvidas da relação dela com Edigard.

“Avaliamos inquérito e escutas, e a deputada arrolou nove testemunhas de defesa. Todo o trâmite para a expulsão será cumprido para que ela tenha condições de se defender plenamente, mas temos convicção da ligação entre os dois. A Comissão Executiva do partido pediu o afastamento dela e agora cabe à Comissão de Ética dar uma posição e apresentar ao diretório nacional”, explicou.

 


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