PIB, pandemia e anarquia

O PIB do Brasil, segundo o IBGE, caiu 4,1% em 2020. Nesta década, o PIB cresceu, em média, 0,3% ao ano, o pior desempenho desde o início do século XX. Durante os 5 anos do governo Dilma, cresceu apenas 5,86%, mas com Temer/Bolsonaro, entre 2016 e 2020, teve queda de 3,03%. É, ironicamente, o resultado do golpe que derrubou o PT prometendo um robusto crescimento econômico. O desastroso governo Bolsonaro alega que o afundamento da economia do país era inevitável devido à pandemia, mas o desempenho de outros países que souberam controlar o vírus mostra o contrário: a China cresceu 2,3% em 2020; o Vietnam, 1,6%; Bangladesh, 3,8%; o Egito, 2,0% e a Coréia do Sul teve queda, mas de apenas 0,9%.

Às vésperas de completar um ano da chegada do vírus, o Brasil supera 10,7 milhões de infectados e 260 mil mortos. Na 3ª feira bateu o recorde de óbitos por Covid (1.726), situação dramática, um morto a cada 50 segundos. Certamente tantos óbitos eram evitáveis, como o demonstraram vários países, sejam desenvolvidos, como Austrália, Nova Zelândia e Taiwan, sejam pobres, como Cuba, Vietnam e Uruguai. Ocorre que Bolsonaro apostou no negacionismo, desincentivou o uso de máscaras e o distanciamento social e o Ministério da Saúde se recusou a centralizar o combate à pandemia, conseguindo a “proeza” de errar em tudo: falta de testes; falta de leitos de UTI; falta de pessoal; falta de oxigênio. De excesso, apenas o superfaturamento na aquisição de material e os gastos com cloroquina.

Agora, em plena 2ª onda, mais trapalhadas: dificuldades na importação de insumos da China em função da política de hostilidade do clã Bolsonaro àquele país; atraso no início da vacinação, com essa se dando em ritmo de tartaruga, pois em 45 dias pouco mais de 3% da população foi vacinada. As trapalhadas bolsonaristas parecem não ter limites. O general “especialista em logística”, com sua geografia terraplanista, nos ensina que o Norte e o Nordeste enfrentam o inverno pois estão no Hemisfério Norte (sic), ao tempo que envia vacinas insuficientes ao Amazonas por confundir sua sigla (AM) com a do Amapá (AP). 

Apesar de Bolsonaro tentar “tirar o corpo fora”, é ele, sim, o principal responsável pela gravidade da crise econômica e social. A pandemia poderia ter sido contida, como o foi em outros países, mas sua postergação teve por aqui efeitos devastadores: o número de desempregados (incluindo os desalentados) chegou a 20 milhões e, se considerados os que passaram à condição de inativos, ultrapassa 30 milhões, uma tragédia. A inflação oficial (IPCA) foi de 4,52%, mas a “inflação dos pobres”, a dos alimentos no domicílio, subiu 18,15% (segundo o IBGE, os alimentos representam 61,2% dos gastos das famílias com renda de até 2 Salários Mínimos). Por fim, o Brasil fechou 2020 com o maior déficit público do mundo, nada menos que 16% do PIB ou 1,02 trilhão de reais, sendo R$ 703 bilhões de déficit primário e R$ 312 bilhões de pagamento da dívida. Para efeito de comparação, 162% superior ao da Argentina (6,1% do PIB) e 248% superior ao do México (4,6% do PIB). Com isso a dívida pública chegou a 6.6 trilhões de reais, ou 90% do PIB. Essa conta deveria ir pra Curitiba!

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