Pechinchas em meio ao caos

Alternativa mais barata para quem quer presentear toda a família no Natal, a Feira dos Goianos, na Avenida Hélio Prates, em Taguatinga Norte, aposta no clima descontraído e nos baixos preços para atrair os clientes. O complexo conta com seis galpões repletos de lojas de diversos segmentos. “Uma lingerie caliente cai bem em qualquer época do ano, e o brasileiro gosta”, conta o bem-humorado Hermano Assemiro, vendedor de peças íntimas. Com preços que vão de R$ 5 a, no máximo, R$ 100, ele aguarda ansioso o “boom” de vendas do Natal.
Mas, segundo os próprios lojistas, nem tudo são flores. “Para o comércio, o Natal não é mais o mesmo”, afirma Ilton de Oliveira, administrador de um dos galpões da Feira. Ele estima que as vendas devem ser 40% menores do que em 2012.
Mesmo assim, os comerciantes apostam no aumento com a aproximação das festas. “Estou chegando de São Paulo hoje (terça, 26) e acredito que as vendas vão melhorar. O comerciante tem que ir atrás de novidades, não é só esperar pelo cliente”, comenta Alexandre Fernandes, vendedor de acessórios para celulares.
A Feira, que existe desde 1998, tem sofrido com a baixa nas vendas. Greves de ônibus e pouca procura pelas compras no atacado são os maiores vilões. A aposta para o período é o 13º salário. A entrada de R$ 143 bilhões no mercado brasileiro é a esperança dos lojistas para salvar o ano. Produtos para todos os públicos e a preços populares são o carro chefe da Feira dos Goianos.
Gravata a R$ 5,00
Ela existe e em diversos modelos. As gravatas mais baratas da Feira estão na barraca de Luara Lauriane. Por apenas R$ 5, é possível comprar uma. Com mais R$ 15, compra-se um maxi-colar, “nova moda do verão. Na novela todo mundo usa”, anuncia a vendedora. Bolsas estampadas de grandes marcas (genéricas, claro!) não passam de R$ 50.
“Jeans barato é aqui! Empina a bunda e aperta a cintura”. O que mais querem as mulheres? É tudo isso que promete Rodrigo Magno e suas calças milagrosas. “Bom humor ajuda nas vendas. Por isso que o pessoal vem à Feira dos Goianos”, conta. Rodrigo cogita, inclusive, contratar funcionários temporários apenas para o período do Natal, a exemplo do que fez no ano passado. “Este ano ainda não contratamos ninguém, mas se em dezembro melhorar, vamos atrás”.
Clientes aproveitam para sair na frente e achar novidades, já pensando em 2014. Deane Graebin, de 27 anos, comprava pensando no réveillon. “As compras já são para o Ano Novo. Estou procurando um short branco”, contou.
Estrutura
Na contramão da animação dos vendedores e frequentadores, no entorno da Feira é o caos. A chegada das mercadorias, que acontece normalmente nas terças-feiras, causa um transtorno ainda maior no trânsito. Carros se amontoam entre calçadas, lojas e caminhões. As cargas e descargas não têm local adequado e, muitas vezes, obrigam carros a esperar os descarregamentos para seguir viagem.
“É assim todos os dias, menos na segunda-feira, porque a Feira não funciona. Já cheguei a ficar uma hora parado esperando terminarem de descarregar um caminhão. Não tinha por onde passar. Hoje já estou aqui (QI 15) há vinte minutos”, diz Nelson Ribeiro, caminhoneiro que entrega chinelos e sandálias no complexo. Ele garante nunca ter visto uma autoridade de trânsito na área. Quem tenta colocar alguma ordem na baderna são os lojistas e os flanelinhas.
A carga de Nelson vem da Ceilândia, o que tem mostrado a renovação da Feira, antes totalmente dependente dos produtos oriundos de Goiânia. Atualmente, as mercadorias são trazidas, além do Goiás, de São Paulo, dos Setores de Indústria da Ceilândia e de Taguatinga, e até do exterior.

Gabriel Pontes (*)
(*) Colaborou Luís Nova

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