Parada LGBT fecha rua em Brasília e cita vítimas de atentado em Orlando

19ª Parada do Orgulho LGBT interdita Eixo Monumental, no centro de Brasília, na tarde deste domingo (26) (Foto: Mateus Vidigal/G1)
19ª Parada do Orgulho LGBT interdita Eixo Monumental, no centro de Brasília, na tarde deste domingo (26) (Foto: Mateus Vidigal/G1)

Brasília recebeu neste domingo (26) a 19ª Parada do Orgulho LBGT com protestos contra casos de intolerância, como o massacre ocorrido em uma boate gay em Orlando no dia dos namorados. O grupo se concentrou no gramado do Congresso Nacional, onde foram instaladas tendas de apoio a pessoas que sofrem preconceito e com testes rápidos de HIV. Houve queima de fogos.

A organização disse calcular 50 mil pessoas no evento. A Polícia Militar contabilizou 20 mil às 20h. Os manifestantes levaram bandeiras com as cores do arco-íris e interditaram o Eixo Monumental durante a caminhada.

Responsável pela organização da parada gay há dez anos, Michel Platini Fernandes afirma que Brasília ainda tem a evoluir em relação à causa. “A homofobia pode não ter diminuído consideravelmente aqui no Distrito Federal, mas as pessoas se empoderaram, denunciam mais, tem mais coragem para sair do armário. Todo gay tem uma história de homofobia para relatar. Nós fizemos uma pesquisa que mostra que, a cada dois membros da comunidade LGBT, um já sofreu algum tipo de opressão.”

O personagem andrógeno Nell Dançarino, que participou da19ª Parada do Orgulho LGBT em Brasília neste domingo (26) (Foto: Mateus Vidigal/G1)
O personagem andrógeno Nell Dançarino, que participou da19ª Parada do Orgulho LGBT em Brasília neste domingo (26) (Foto: Mateus Vidigal/G1)

O personagem andrógeno Nell Dançarino diz ter a mesma impressão. Ele trabalha há dez anos como artista performático, fazendo shows e apresentações. Além disso, realiza trabalhos voluntários de prevenção, distribuindo preservativos masculinos e femininos.

“Acredito que a cada ano conquistamos mais direitos, abrimos mais os olhos da sociedade. Apesar de já poder andar de mãos dadas em público, saio de casa com muito medo. Ainda mais quando estou montado. Precisamos de mais respeito”, afirma.

Tenda para teste rápido de HIV instalada no gramado do Congresso Nacional neste domingo (26), durante a 19ª Parada do Orgulho LGBT em Brasília (Foto: Mateus Vidigal/G1)
Tenda para teste rápido de HIV instalada no gramado do Congresso Nacional neste domingo (26), durante a 19ª Parada do Orgulho LGBT em Brasília (Foto: Mateus Vidigal/G1)

A concentração começou às 14h e a marcha partiu pela via N1 por volta de 17h, em direção ao Palácio do Buriti. Depois o grupo irá para a Câmara Legislativa e então para a Torre de TV, onde as atividades devem ser encerradas às 22h.

A senadora Érica Kokay esteve presente no evento e subiu ao trio elétrico para manifestar apoio à causa LGBT. “Se não houver a liberdade de ser quem se é e a liberdade amar quem se quer amar, nós vamos transformar a violência em algo normal. Enquanto as pessoas mantiverem essa guerra e ódio tentando calar membros LGBT, mais vamos combater, mais vozes vão aparecer da comunidade LGBT.”

O estudante de direito Bruno Cavalcanti de Carvalho criticou o julgamentos que as pessoas da comunidade LGBT sofrem quando demonstram afeto em público. “Tem que ter mais respeito. Precisamos de mais liberdade para podermos mostrar carinho, dar as mãos, beijar sem sermos julgados pelas pessoas.”

Ele também reclamou de intolerância da sociedade, que segundo ele ocorre até mesmo no em universidades. “Fui apresentar um trabalho sobre diversidade e um rapaz da minha sala falou que eu não podia defender ‘essa raça’ porque todos iam morrer de Aids e queimar no inferno”, recordou.

O estudante de direito Bruno Cavalcanti de Carvalho, que participou da 19ª Parada do Orgulho LGBT em Brasília neste domingo (26) (Foto: Mateus Vidigal/G1)
O estudante de direito Bruno Cavalcanti de Carvalho, que participou da 19ª Parada do Orgulho LGBT em Brasília neste domingo (26) (Foto: Mateus Vidigal/G1)

Para a advogada da comissão de direitos humanos da OAB Taguatinga Alinne de Souza Marques, a saída para combater o preconceito está na educação da sociedade. “Nossa sociedade está vivendo um retrocesso. Existe um verdadeiro desmantelamento do nosso sistema educacional. A educação de gênero é fundamental para mudar esse quadro de intolerância. Não adianta fazer medidas paliativas. O estado é laico. Precisamos de educação de gênero nas escolas, que nada mais é do que respeitar a identidade que a pessoa quer assumir.”

Ela também critica a postura assumida de setores da sociedade e da mídia quanto ao atentado de Orlando. “Não tem outro motivo senão LGBTfobia. Estão tentando lidar como se fosse ‘apenas’ um ato terrorista. Foi um ato terrorista sim, mas motivado por preconceito contra pessoas LGBT”, afirma.

Massacre em Orlando
Um atentado a boate gay em Orlando (EUA) no dia dos namorados deixou 50 pessoas mortas e 53 feridas. O atirador morreu durante a troca de tiros com a polícia. O FBI confirmou a identidade do suspeito: Omar Saddiqui Mateen. Ele tinha 29 anos e era um cidadão norte-americano, filho de pais afegãos.

De acordo com as autoridades, o suspeito comprou legalmente duas armas de fogo – uma pistola e uma arma de cano longo – nas semanas anteriores ao massacre. O número de mortos faz do ato o pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos.

 


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