Países da Parceria Transpacífico (TPP) se articulam para manter o tratado

Apesar de muitos analistas considerarem que a Parceria Transpacífico (Trans-Pacif Partnership – TPP, na sigla em inglês) não resistiria à saída dos Estados Unidos do grupo, os outros países do grupo começaram a se articular para a manutenção do tratado com novas perspectivas. As informações são da Radio France Internacionale.

Primeiro-ministro da Austrália, Malcom Burnell, em frente ao premiê japonês Shinzo Abe, durante encontro bilateral em Sydney, em janeiro de 2017 RFI – Reuters/Brook Mitchell

Assinado em 2015 por 12 países banhados pelo Oceano Pacífico (Austrália, Brunei, Canadá, EUA, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã), o tratado ainda não entrou em aplicação. Mas, mesmo antes de Trump anunciar a saída dos EUA do TPP, o ministro do Comércio da Austrália, Steven Ciobo, já havia abordado, durante o Forum de Davos, na Suíça (em janeiro), a possibilidade de existir um “TPP 12 menos um”.

Com a saída dos EUA, as articulações começaram e a China – antes vista como uma ameaça pelo grupo do TPP – hoje pode se tornar um parceiro de peso. Tanto que a Austrália já sinalizou a Pequim essa possibilidade. “Haveria perspectivas de reformular o tratado (…) para incluir países como Indonésia ou China, e outros”, declarou à Australian Broadcasting Corporation, o primeiro-ministro australiano Malcom Turnbull.

Negociações ativas

Recentemente Turnbull reiterou que seu governo está tendo discussões ativas com outras nações do TTP como Japão, Nova Zelândia e Cingapura. Ele não descarta que a política americana mude sua posição um dia, já que muitos republicanos são favoráveis ao acordo. Mas também não exclui que “é possível que o TPP siga em frente sem os Estados Unidos”.

O primeiro-ministro neo-zelandês, Bill English, afirmou que após a decisão de Washington, Pequim “não demorou em ver uma oportunidade” para se convidar para o TPP. E se referiu à vontade “de fazer um esforço por ver no que o Tratado pode se transformar-se, em vez de abandoná-lo e esperar um telefonema (de Washington) em relação a um eventual acordo bilateral”, já que Trump anunciou sua intenção de negociar acordos bilaterais mais favoráveis para Washington.

Enquanto isso, a China, excluída do TPP desde o início, lançou sua própria iniciativa, a Associação Econômica Integral Regional (RCEP na sigla em inglês), que reúne os dez países-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e seus parceiros comerciais regionais (China, Japão, Austrália, Índia, Coreia do Sul e Nova Zelândia). A RCEP também pretende suprimir barreiras tarifárias e não tarifárias, mas é muito mais flexível do que o TPP sobre as normas regulatórias, em particular as ambientais e sociais.

Em uma entrevista recente  à imprensa, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, se mostrou evasiva sobre uma eventual participação de seu país no TPP, limitando-se a dizer que a China apoia os acordos comerciais “abertos, transparentes e em que todos ganham”.

Para os analistas econômicos, a China pode se interessar em entrar para o TPP, mas como sua economia não está no melhor momento, a chance de que isto aconteça é muito pequena. Já o Japão defende um acordo com os Estados Unidos, não vendo muito sentido prosseguir no TPP sem o Tio Sam.

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