Os Marajás da República

Os Marajás da República

“Você acredita que um Marajá da Índia ganhe a mixaria de 200 a 300.000 cruzeiros mensais?”

Esta foi a pergunta formulada pelo personagem de uma das obras do poeta Carlos Drummond de Andrade. Tudo leva a crer que foi a partir dessa referência literária que o substantivo masculino Marajá (que antes designava apenas um alto manda-chuva do Oriente) se transformou em adjetivante pejorativo para se referir a pessoas que recebessem salários exorbitantes, comparados com os ganhos dos trabalhadores comuns. E, por volta da década de 1950, volta e meia, a chamada mídia caía de pau nos estivadores do cais do porto, taxando-os de Marajás simplesmente porque ganhavam muito acima da média dos operários brasileiros. Aqui pra nós, tratava-se de uma baita injustiça, já que os referidos trabalhavam tal qual burros de carga, usufruindo os dividendos das toneladas que carregavam sobre os ombros, muitas vezes varando madrugadas.

Além do vergonhoso Mensalão, a novidade noticiosa local é que os deputados federais continuam manobrando para não acabar com os irregulares 14º e 15º salários, que, por sinal, já foram extintos em maio pelos 81 parlamentares do Senado Federal e os 24 distritais da Câmara Legislativa. Ao comentar o assunto, me encho de náuseas, com certeza, da mesma forma como outros filhos desta gentil “pátria amada, Brasil”.

Para esses parlamentares que insistem em continuar deitados em berço esplêndido, mamando nas tetas pompudas do Congresso Nacional, convém lembrar que o salário mínimo, para 2012, foi limitado em exatos R$ 622, promulgado solenemente pela presidente Dilma.

Muito embora haja em sua classe alguns analfabetos hereditários, será que os nossos congressistas não conhecem a tabuada das quatro operações elementares? Somados seus 15 altos proventos mensais de R$ 25 mil reais, o total é de R$ 375 mil por ano. A bolada cresce com as “ajudas de custo” de muitos cifrões, que eles embolsam sutilmente, para cobrir despesas imaginárias, não obstante já tenham, de graça, hospedagem, passagens aéreas, trânsito livre para si e seus familiares na área da Saúde, gordas verbas de gabinete, entre outras benesses.

Diante de tal chocante evidência, é o caso de se perguntar: esses senhores são ou não são os novos Marajás da República?

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