Operação contra ebola em Serra Leoa encontra 70 corpos e 150 casos

Freetown – Serra Leoa voltava nesta segunda-feira à normalidade após três dias de confinamento que permitiram descobrir dezenas de mortos devido ao Ebola, ao mesmo tempo que o religioso espanhol que contraiu o vírus neste país chegou a Madri para receber tratamento médico. O confinamento permitiu detectar 150 casos novos do vírus mortal e encontrar 70 cadáveres, indicaram as autoridades nesta segunda-feira (22/90.

A epidemia provocou mais de 2.600 mortes durante o ano, provocando uma crise de saúde de repercussões sociais e econômicas nos três países mais afetados: Serra Leoa, Libéria e Guiné. Em Serra Leoa, onde o vírus hemorrágico matou mais de 600 pessoas, os seis milhões de habitantes foram proibidos de sair de suas casas nos últimos três dias. O balanço de cadáveres encontrados e de casos detectados durante o confinamento se limita à capital Freetown e aos seus arredores.

Os resultados para todo o país podem aumentar consideravelmente os números gerais, indicaram nesta segunda-feira as autoridades. “A população respeitou a ordem de permanecer em suas casas, o que permitiu às equipes de campanha sensibilizar as famílias sobre o Ebola”, ressaltou um funcionário dos serviços públicos de saúde. Na Espanha, o missionário católico Manuel García Viejo, de 69 anos, chegou na madrugada desta segunda-feira a Madri, procedente de Serra Leoa, em um avião-ambulância e foi imediatamente transferido ao hospital Carlos III.

O missionário encontra-se no momento em uma situação grave, informou o hospital. García Viejo, especializado em medicina tropical, membro da Ordem Hospitalar de ‘San Juan de Dios’, instalada na África há 30 anos, dirigia em Serra Leoa o hospital da cidade de Lunsar. O religioso é o segundo caso de um espanhol infectado com esta doença desde o início da epidemia. Em agosto, o também religioso Miguel Pajares, de 75 anos, morreu de Ebola depois de ser transferido a Madri.

Faltam leitos

Já a Libéria, o país mais afetado, com mais de 1.450 mortos, anunciou que vai aumentar o número de leitos dos 250 atuais para mil, para tratar os doentes em Monróvia, a capital, praticamente com o sistema de saúde em colapso. “Rejeitamos pacientes porque não temos espaço. É por isso que o governo vai tentar disponibilizar 1.000 leitos para poder receber todos os pacientes”, declarou à AFP o ministro da Informação, Lewis Brown. “Desta forma colocaremos fim à propagação porque os que rejeitamos retornam as suas comunidades, onde podem infectar outras pessoas”, acrescenta.

No dia 8 de setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a Libéria poderia registrar “vários milhares de novos casos”. No condado de Montserrado (oeste), que inclui Monróvia, a OMS informou que são necessários urgentemente 1.000 leitos para os doentes da epidemia do vírus do Ebola na África ocidental, a mais grave desde que foi identificada em 1976. Os últimos dados da OMS falam que na Libéria foram registrados 2.710 casos, mas estes números são de uma semana atrás, e os serviços de saúde da capital precisaram enfrentar um enorme fluxo de pacientes nos últimos dias.

“Estou aqui desde esta manhã. Já estive ontem e anteontem, mas me dizem para ir embora e voltar mais tarde”, contou à AFP Fatima Bonoh, de 35 anos, com tremores, na entrada do hospital da Redenção de Monróvia. Um segundo grupo de militares americanos chegou no domingo à Libéria como parte de uma missão de 3.000 soldados destinada a ajudar os serviços de saúde do país. Na Nigéria, onde o vírus matou oito pessoas de 20 casos confirmados, foi confirmado para esta segunda-feira o retorno às aulas após férias prolongadas devido ao Ebola, mas o sindicato majoritário de professores está preocupado com os riscos de propagação do vírus nas instituições de ensino. De fato, a epidemia preocupa o mundo inteiro. A Índia anunciou o adiamento da 3ª Cúpula Índia-África prevista em Nova Délhi em dezembro, que contaria com a participação de 50 países africanos.

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