O TERCEIRO POVO

Ainda altas a pressão arterial e a adrenalina dos governantes brasileiros, em face dos últimos acontecimentos que os abalam. São fartas as notícias de desmandos levados a cabo em todos os poderes da República. E isto os torna cada vez mais desacreditados, enquanto instituições, pelo termômetro da opinião pública, exibido especialmente com o deflagrar dos movimentos populares organizados através das redes sociais na internet, que colheu subitamente a todos.

O impacto, já nos primeiros afufos, demonstra a capacidade mobilizadora com resultados bem mais devastadores – que os protestantes chamam avanços – em episódios futuros. Ainda no ebulir dos acontecimentos movidos ao sabor do descrédito a que se submeteu o sistema de governo brasileiro, com sua estrutura mega-fóbica, contaminada num plano maior pelo vírus da corrupção, que se alastrou e tomou corpo nos últimos anos e sucessivos governos, em quase nada mudando ou avançando, sequer prometendo que rume no sentido de vê-lo modificado.

Mergulhado, pois, nesse lamaçal, pressionado pelas manifestações populares espontâneas, e acuado na vulnerabilidade dos seus mecanismos de defesa, de inteligência, informação e estratégia, que se revelaram inoperantes diante dos acontecimentos que noticiam a espionagem norte-americana sobre nosotros tupiniquins, demonstrando o quão estamos nas mãos do Tio Sam, que, mesmo sem saber tocar pandeiro, dá a marcação do samba. É assim que parece se encontrar o governo Dilma.

Mas isto é o que ocorre com quem tenta servir a dois senhores, contrariando a orientação lógica. O sistema petista de governar peca, dentre outras coisas, pela sede de poder, sequiosa. Com isso, fez compromisso com o empresariado, que bancou, em tese, toda a campanha que o fez chegar ao comando da nação, enquanto do outro lado está a classe trabalhadora, que o fez partido e dele cobra as promessas.

Como terceiro polo, o terceiro povo, a clientela dos denominados programas sociais, que são tantos, dentre os quais as bolsas família, escola, que nos interiores nordestinos são chamados bolsa nenem, um estímulo à procriação não planejada que faz crescer, além das barrigas, as vilas e favelas.

Quem, politicamente falando, sobreviver a essa avalancha tormentosa que se parece anunciar, decerto terá aprendido a lição, e de alguma forma poderá contribuir para a melhoria do mundo, que passará necessariamente por reformas profundas. E, na dúvida, acenderá uma vela pedindo pra Deus ajudar e outra ao diabo, para não atrapalhar.

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