O Teatro da Velha política ainda em ação no DF

Jofran Frejat pediu ao seu partido até segunda-feira (23) para repensar sua decisão

As razões que levaram o médico Jofran Frejat (PR) a abandonar a disputa pelo Palácio do Buriti revelam claramente que as forças da Velha Política ainda andam fortes e atuantes, quando necessário, em conjunto. Mensalão dos Democratas, Caixa de Pandora, Operação Panatenaico e tantos outros escândalos que estão sendo investigados pelas autoridades policiais não foram suficientes para reduzir o ímpeto de certas figurinhas bem carimbadas da política local em agir e interferir em proveito próprio no processo eleitoral candango.

Personalidades que já frequentaram as celas da Papuda agem livremente na tentativa de construir um cenário que lhes permita voltar à cena política, mesmo que seja por detrás da coxia. Dali, fora do foco da ribalta, eles ditarão posso a passo o enredo que esperam que seus afiliados no extremo do proscênio representem na parte frontal do palco. Agem como tutores de marionetes. Dali, esperam ganhar forças políticas para enfrentar os processos e inquéritos que respondem, quem sabe garantir o engavetamento de uma papelada aqui outra acolá. Dali, também esperam rechear novamente seus bolsos, afinal a carne é fraca e a Justiça é lenta.

Segundo ato

Rogério Rosso (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A saída de cena de Frejat – há quem diga que lá na frente, no epílogo, ele voltará – não significa que os atores do mal foram retirados do enredo. Pelo contrário, eles se articulam para encontrar novos atores que desempenhem com maestria personagens que eles desenham. Querem alguém com popularidade pessoal, mas ao mesmo tempo submisso aos representantes da Velha Política, os marionetistas.

O problema é que, dentre a maioria dos nomes colocados à mesa, não há nenhum que acumule os índices de popularidade eleitoral de Frejat e quase todos estão enrolados na Justiça. Rogério Rosso (PSD), primeiro a entrar em cena, tentando ser um super-homem, já prometeu mundos e fundos, como o pagamento de uma só vez dos reajustes salariais não pagos por Rollemberg aos servidores e a isonomia salarial entre a Polícia Civil e a Federal.

Cristovam Buarque. Foto: Júlio Pontes

Há quem pense no tucano Izalci Lucas (PSDB), que com Rosso e Cristovam Buarque (PPS) tentavam construir outra trupe, reunindo oito partidos de pequeno e médio portes. Na primeira apresentação pública, dentre essas agremiações, estavam o Patriota e o PSL do DF – o antigo e o atual partido de Bolsonaro, respectivamente. A coligação tucana foi se esfarelando antes mesmo de chegar oficialmente ao público. Alírio Neto (PTB) sentiua fraqueza do elenco, pulou fora e entra em cenacom Eliana Pedrosa (Pros), que conta com o apoio do clã rorizista.

Se Rosso debandar para o colo de José Roberto Arruda (PR) e Tadeu Filippelli (MDB), deixará Izalci e Cristovam muito fracos, quase que como coadjuvantes dessa peça político teatral. Izalci pode até, por uma questão de sobrevivência, migrar para Arruda, mas se Cristovam fizer o mesmo será a pá de cal em sua imagem política.

Ficha policial

Em comum entre Rosso, Filippelli, Arruda, e Izalci é que todos estão com problemas na Polícia ou na Justiça. Os dois primeiros são alvos da operação Panatenaico da Polícia Federal que apura superfaturamento nas obras do Mané Garrincha. Izalci está enroscado no sutiãgate, processo que o julga pela suposta apropriação indevida de um montante, a valores de 2009/2010, de R$ R$ 245.176,94, referentes a bens doados pela Receita Federal ao GDF. Dentre eles, nove mil sutiãs, oito mil pares de meias e dois mil vidros de perfume, que nunca foram incorporados ao patrimônio público. A suspeita da Justiça é que eles tenham sido usados como brindes para cativar eleitores. A ficha de Arruda dispensa detalhamento, pois é amplamente conhecida pelos brasilienses, embora muitos ainda o venerem.

 

Outra peça

Em outro teatro da cidade, o governador Rodrigo Rollemberg, segundo nas pesquisas até aqui, tenta reunificar seu elenco. Conseguiu trazer de volta o Partido Verde e a Rede. Oito meses após deixar o GDF, prometendo lançar candidatura própria, a Rede volta, envergonhada, aos braços de Rollemberg. Não faz muitos dias, o líder máximo do partido no DF, Chico Leite, dizia à imprensa que preferia perder o mandato a perder a dignidade. Mas resolveu esquecer os motivos que fizeram a Rede se separar do PSB há tão pouco tempo.

A volta da Rede ao lar socialista deixa PDT, PC do B e PPL meio sem rumo. Cada um tem seu candidato a presidente da República e isso requer um palanque amigo na Capital Federal. Entretanto, sós, terão pouca chance de eleger deputados, em especial os federais, para suprir as exigências da cláusula de barreira.

Correndo por fora, com chapas já definidas, oPsol e o Partido Novo buscam mostrar aos eleitores que representam a Nova Política, cada um à sua maneira. O Psol pela esquerda, defendendo um governo eficiente que propicie Saúde, Segurança e Educação públicas de qualidade, e o Novo tendo em pauta a bandeira de um Estado Mínimo, onde o liberalismo econômico tenha prioridade.

Cabe ao eleitor verificar que enredo melhor atende aos seus anseios para que o DF enterre de vez a Velha Política e não passe quatro anos mais numa tragicomédia. Prestes a completar 30 anos de existência, a autonomia política de Brasília – por quem tanta gente lutou enfrentando a ditadura militar – não pode se transformar em uma Tragédia Grega, histórias trágicas e dramáticas recheadas de tensão permanente e que sempre terminam com final infeliz e trágico.

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