O riso, o sorriso e a língua

Uma das marcas mais evidentes da felicidade são os risos e sorrisos que as pessoas ostentam – por isso, são garantidos em qualquer texto literário. E você sabia que, denotativamente, existe uma sensível diferença entre rir e sorrir? Vamos analisar o que há de linguístico por trás dessas atitudes.

Segundo o Houaiss, sorrir significa rir sem fazer ruído, com ligeira contração muscular da boca e dos olhos (ou seja, “mostrar os dentes”). Em contrapartida, rir é equivalente a contrair os músculos faciais e emitir som característico. Nota-se, portanto, que sorriso é o que estampa os rostos dos felizes, ao passo que é riso é o que se emite em uma atração cômica.

Há, todavia, algo morfológico que une os dois verbos. Ambos admitem a ocorrência de pronome expletivo (um elemento dispensável de realce). É correto dizer “ela sorriu para os amigos” ou “ela se sorriu para os amigos”. De modo análogo, é adequado “ele riu da peça” ou “ele se riu da peça”.

Lembre-se de que, em ambos os casos, a posição do pronome é regida pelos princípios de colocação pronominal. Como são orações absolutas dotadas de sujeito expresso, pode-se empregar a próclise ou a ênclise.

Mas vale ressaltar que, independentemente do verbo, o importante é que nossos risos e sorrisos possam invadir nossos dias. Que a nossa visão esteja ativa para reconhecer sinceros sorrisos e retribuí-los; que nossa audição esteja ávida por risos de alegria.

Que nossa vida seja uma metáfora da felicidade!

Por: Elias Santana

Deixe um comentário