O padre e o 171 no pau que chora

A santa de Santana chorou sangue.

Foram os baianos que contaram, em música, essa estória. Mas descobriram que não se trava de sangue a longa lágrima que escorria dos olhos da Santa, padroeira de Santana. Era tinta vermelha.

Padre, em Ceilândia (DF) afirma ter visto Nossa Senhora aparecer sobre uma sucupira de média idade que resiste à erosão provocada pela ocupação desordenada do condomínio Sol Nascente.

É crescente o número de beatas que acompanham o reverendo, dizendo crer na versão sacerdotal, que anunciou a antevisão de que daquela árvore ficaria a escorrer uma espécie de lágrima incolor, como fosse água, pelo período de sete dias.

Noticiam populares que acodem ao chamamento do padre, bem assim a mídia, que, realmente escorrem os tais pingos. Só que cientistas contestam a versão miraculosa, esclarecendo tratar-se de excremento de casulos de insetos instalados na parte seca do galho, fenômeno nada curial.

Mas o padre vai bem além na sua viagem, e afirma, a quem interessar possa, ter visto o pé de Nossa Senhora pisar por sobre referida sucupira.

A partir da assertiva do sacerdote, iniciou-se uma romaria ao local. O “pau milagroso” passou a abrigar penitentes de diferentes matizes, todos em busca de cura. Alguma beatas se arvoram de ter obtido “cura” para seus males, atribuída aos milagres da santa.

Resta saber se o pau é oco.

Mas a Igreja Católica a que é vinculado esse visionário padre “iluminado” talvez seja a mesma que excomunga os freis Betto e Leonardo Boff, e agora o jovem padre, também Beto, do estado de São Paulo. Os dois primeiros pelos seus ideiais libertários preconizados na Teologia da Libertação e, este último, por defender as uniões homoafetivas.

Estes reclamam, e, no meu leigo entender, cheios de razão, pela adoção da prática de dois pesos, duas medidas pela Santa Igreja, que, enquanto defenestra a quem pensa, protege àqueles acusados de pedofilia. E agora, também, a quem beira o charlatanismo.

 

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