“O outro lado do paraíso”: ficção ou realidade?

Nos últimos dias, a novela ‘O outro lado do paraíso’ tem gerado polêmica ao abordar o tema abuso sexual. Fazendo, inclusive, com que o Conselho Federal de Psicologia se posicionasse frente ao caso. A personagem Laura está em sofrimento por ter sido abusada por seu padrasto durante a infância. Já adulta, busca a ajuda de uma Coach para lidar com problemas relacionados ao sexo.

A polêmica surge porque um profissional de Coach tem uma demanda de trabalho e o de Psicologia tem outra. Em alguns casos, eles se complementam, mas um não substitui o outro. Assim, torna-se importante que a população entenda suas diferenças para buscar o apoio adequado a seu caso.

A Psicologia é uma ciência da mente, do comportamento. Ela faz referência a instintos, prazer, dor, emoção, sentimento, memória, sensação. Os psicólogos estudam o comportamento humano, as patologias psíquicas e emocionais, diferentes teorias e técnicas. Sempre buscando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas. A formação do profissional de Psicologia lhe permite tratar e cuidar de traumas, sofrimento, angústia.

Além de tudo o que está no domínio da saúde mental. O psicólogo está apto a atuar em consultório, hospitais, escolas, empresas.

Já o Coaching é indicado para quem deseja alcançar objetivos específicos, aprimorar e desenvolver habilidades, aumentando sua motivação e produtividade. Assim como na Psicologia, o Coaching tem abordagens e técnicas diferentes e, geralmente, seu profissional atua em consultório ou em empresas.

Na novela, Adriana é a Coach, uma profissional de Direito que se especializou em Coaching. Já Laura é a Coachee, quem é ajudada pela técnica.
Outra diferença entre as duas profissões é a formação. Profissionais de outras áreas podem fazer cursos em instituições do Brasil e do exterior e se formarem Coachs. Já para ser psicólogo, é necessário fazer o curso superior nas Universidades.

Em relação à novela, inicialmente a personagem Laura necessitaria de acompanhamento de um Psicólogo para entender a origem de sua repulsa pelo sexo; para aprender a lidar com o que aconteceu em sua infância; para ressignificar à prática sexual; e vislumbrar caminhos que a ajudem a cuidar de seu sofrimento.

Para tratar de um abuso sexual, não basta ter um objetivo específico ou aprimorar determinadas habilidades. A demanda emocional, nesse caso, vai muito além disso, necessitando-se de um suporte adequado e especializado. Posteriormente, quando ela já estivesse mais fortalecida, poderia sim ser o momento, se for o caso, de se buscar um Coach.

(*) Fernanda Polsin é Psicóloga, especializada em Gestão de Pessoas e Coaching.

Clínica Diálogo, CRP: 01/15739

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