O funcionalismo no combate à crise do coronavírus, por Paula Belmonte

Os servidores estão cumprindo uma nobre missão durante a crise do coronavírus. Eles estão na linha de frente de combate ao Covid-19: médicos, enfermeiros, pessoal de apoio da saúde, fiscais do Procon e DF Legal, policiais, bombeiros, garis e professores, bem como os funcionários que estão trabalhando incessantemente para que os recursos emergenciais cheguem a quem mais precisa.

O Distrito Federal tem aproximadamente 300 mil funcionários públicos e tenho certeza que todos eles estão engajados e dando sua contribuição para que o Brasil supere esta crise o quanto antes.

Além do papel profissional, familiar e social que já desempenham, os servidores públicos serão de extrema importância para o Distrito Federal superar as consequências econômicas causadas pela pandemia do coronavírus. Acredito que serão a mola propulsora para a retomada do crescimento econômico.

Ao contrário das demais categorias, os funcionários públicos não sofreram nem devem sofrer os impactos financeiros gerados pela pandemia, tais como redução salarial ou perda de emprego e renda. Temos no Distrito Federal um contingente semelhante de empreendedores. Mas ao contrário dos funcionários públicos, eles têm passado por sérias dificuldades econômicas devido ao isolamento social e as medidas adotadas pelo governo para impedir a aglomeração de pessoas.

Por isso, os servidores públicos serão essenciais para a economia. A reponsabilidade social do funcionalismo público é maior neste momento e tenho certeza que vão agir com uma atitude benevolente em relação aos demais setores da sociedade. 

Na questão das mensalidades escolares, por exemplo, concordo com os argumentos dos pais que algum tipo de desconto deve ser dado. Mas faço a seguinte ponderação: é justo dar um desconto linear? Me parece que não. Pais que são empresários, que têm negócios que dependem da livre circulação de pessoas, de um dia para o outro perderam a renda e estão com muita dificuldade para cumprir os compromissos. Para eles, o fardo tem sido mais pesado e o desconto seria um alívio. No caso dos pais que são funcionários públicos ou que trabalham em setores que não foram afetados pela crise, talvez não pese tanto no bolso pagar integralmente a mensalidade.

E há outro ponto que gostaria de destacar nesta discussão. Recentemente promovi uma reunião online com representantes de escolas e de pais de alunos. Os donos de escola ponderaram que as folhas de pagamento estão integrais, ou seja, não houve redução dos salários dos professores e funcionários, tampouco demissão. Além disso, buscaram e investiram em ferramentas de teletrabalho para minimizar o impacto da crise na educação dos alunos.

Em caso de redução drástica do valor das mensalidades, os primeiros prejudicados seriam os professores, que perderiam parte do salário ou seriam demitidos. É correto tratar dessa maneira quem se dedica aos nossos filhos? E é justamente neste questionamento que está o cerne da minha mensagem. Nos momentos de crise devemos ser solidários, pensar nos impactos das nossas ações no próximo, ter responsabilidade social.

Deixar de pagar, por exemplo, o instrutor de pilates, a escolinha de futebol, o professor de idiomas, os prestadores de serviço em geral, não é uma questão apenas de economizar ou deixar de pagar por um serviço momentaneamente paralisado. É um ato que gera consequência na vida dos demais e pode ser a diferença entre levar o pão para casa ou passar necessidade.

A roda da economia tem que continuar a girar. As boas atitudes geram uma reação em cadeia. Se eu continuo a pagar integralmente a um autônomo ou prestador de serviços, ele vai ter condições de continuar a consumir, de comprar no mercadinho da vizinhança, na padaria, de seguir pagando a escola do filho. E o Distrito Federal, por ter um contingente expressivo de funcionários públicos, tem melhores condições que as demais unidades da Federação para fazer essa roda continuar a girar. E repito, não é simplesmente uma questão econômica, é mais que isso, é o compromisso com o próximo, com a coletividade. Não vamos tirar proveito da crise. O momento é de ajudar, e não de pensar apenas nos próprios interesses. 

Além da dimensão material, a crise nos impõe, ou melhor, nos dá a chance de rever valores e conceitos. A correria do dia a dia nos impede muitas vezes de ter um contato mais próximo com a família, de fazer uma pausa para uma prece, um pensamento positivo, uma reflexão. 

Em meio a tantas notícias tristes, vamos fazer deste difícil momento uma janela para uma nova visão do mundo e, por que não, de nós mesmos. Ter em mente que todos nós estamos neste mundo e devemos juntos lutar para transformá-lo, torná-lo um lugar melhor para as próximas gerações. E podemos começar essa mudança hoje. A solidariedade é uma mão de via dupla. Quem ajuda o próximo, ajuda a si mesmo. 

Com fé em Deus, e muito trabalho e solidariedade, vamos superar essa crise e viver um novo tempo de dias melhores.

(*) Paula Belmonte é deputada federal pelo Cidadania (DF)

Artigo publicado na edição do Correio Braziliense de 20 de abril de 2020

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