O Esporte em Segundo Plano

FotoNo momento em que o Brasil se prepara para sediar os dois maiores eventos esportivos do planeta – a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – faz-se necessário, mais do que nunca, uma atenção especial à segurança, para que o país seja destaque apenas nas páginas esportivas. A Copa das Confederações, daqui a dois meses, será o primeiro grande teste.

Afinal, seja por questões políticas, religiosas, étnicas, irresponsabilidade do poder público ou apenas violência pura e simples, há momentos em que o esporte fica em segundo plano, dando lugar a tragédias e dramas pessoais, como alguns episódios que mancharam de sangue vários eventos esportivos nos últimos anos.

O último deles foi registrado na segunda-feira (15), quando três pessoas morreram (sendo uma criança) e 176 ficaram feridas (17 em estado crítico) em duas explosões durante a chegada da Maratona de Boston (EUA), uma das mais famosas do mundo.

Embora o saldo seja dramático, as consequências poderiam ter sido ainda piores, pois outra bomba explodiu na biblioteca do Museu Kennedy e duas foram desarmadas pela polícia local.

O incidente ultrapassou a esfera esportiva, criando no país um clima semelhante ao de onze anos atrás, após os atentados às torres gêmeas de Nova Iorque, em 2001, e tornou-se assunto de segurança nacional para o presidente Barack Obama.

Corintianos

Há dois meses, a morte do garoto boliviano Kevin Beltrán, atingido por um sinalizador durante um jogo do Corínthians pela Libertadores, até hoje repercute na mídia. Doze torcedores do time brasileiro continuam presos no país vizinho, suspeitos de participação no crime.

No domingo (14), minutos antes do clássico Fortaleza x Ceará – evento-teste para a Copa de 2014 no estádio Castelão, o primeiro a ficar pronto para o evento – dois mortos em mais uma estúpida briga de torcidas.

Em 1972, nas Olimpíadas de Munique, onze atletas israelenses foram assassinados por terroristas palestinos, no episódio conhecido como Setembro Negro.

A banalização da violência não é exclusividade do esporte, mas uma preocupação cada vez mais presente na sociedade atual. Por isso, todo cuidado é pouco e as punições precisam ser, de fato, rigorosas. Sem, evidentemente, se chegar ao extremo do Egito.

Há um mês, a justiça egípcia julgou os responsáveis pela tragédia no estádio Port Said, que um ano antes vitimou setenta e duas pessoas. Vinte e um deles foram condenados à morte por enforcamento e dezenove à prisão perpétua. O resultado causou uma onda de protestos e violência na capital Cairo, causando mais mortes.

 Por Sérgio Camelo

Deixe um comentário