O espetáculo dos ipês (*)

Foto: Cassinho Brazil.

Após os ipês roxos colorirem o Distrito Federal e o cerrado no Entorno de Brasília, chegou a magnífica estação da florada dos ipês amarelos. No período da seca, a árvore perde as folhas, que dão o lugar às belíssimas flores, que, em uma época tão difícil devido à pandemia, transformam momentos tão difíceis em instantes de contemplação da nossa paisagem.

O florescimento do ipê amarelo ocorre, anualmente, a partir de julho até setembro e chama a atenção da população local e dos turistas que visitam nossa cidade. O colorido dos ipês se exibe, democraticamente, na Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral, no Eixo Monumental, nos Eixinhos Norte e Sul ou numa simples estrada de chão que liga o nada a lugar nenhum em qualquer parte onde haja respeito à preservação da vegetação nativa.

Os ipês também estão nas entrequadras e em todos os parques do DF, sempre se oferecendo para transformar o asfalto quente de nossas avenidas largas e calçadas em um grandioso tapete de flores.

Tão rapidamente quanto surge, a floração dos ipês amarelos se vai. Do desabrochar da primeira flor ao desaparecimento da última, transcorrem-se, em média, 45 dias. A espécie, que floresce no inverno do Centro-Oeste brasileiro, é influenciada pela intensidade da estação. Quanto mais o frio e o seco, quanto mais intenso for o inverno, maior será a intensidade da floração do ipê amarelo.

A estimativa é a de que existam mais de 600 mil ipês no quadradinho do Distrito Federal. Desses, cerca de 200 mil estão na parte central do Plano Piloto, de acordo com a Novacap. Há décadas, a companhia cultiva mudas e faz plantio de árvores típicas do bioma, entre elas os ipês.

De acordo com a Novacap, a exuberância dessa espécie, no DF, se explica pela facilidade de adaptação ao clima seco e à baixa umidade do cerrado. Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

Este ano, já foram plantadas, aproximadamente, 50 mil mudas de ipês roxos, amarelos, rosas, brancos, e lilás. Nos próximos invernos elas também estarão exibindo suas flores e embelezando ainda mais a nossa linda capital. De acordo com a Novacap, a exuberância dessa espécie, no DF, se explica pela facilidade de adaptação ao clima seco e à baixa umidade do cerrado.

A companhia planta várias espécies de árvores a cada período chuvoso. Muitas mudas não resistem à seca seguinte. Ao contrário dos ipês, que são plantas muito resistentes. Às vezes, fica apenas o tronco, dando a impressão de que está morto. Mas logo que chove ele brota e explode em suas cores esplendorosos.

Então, curtamos, nos próximos dias, os ipês amarelos, que foram precedidos pelos roxos e logo serão sucedidos pelos rosas, brancos, lilás e, por último, os verdes, lá para setembro até novembro. Depois, vamos chupar manga e esperar o inverno do próximo ano para voltarmos a curtir o colorido dos ipês.

(*) Ipê é uma palavra de origem tupi, que significa árvore cascuda. É o nome popular usado para designar um grupo de nove ou dez espécies de árvores com características semelhantes de flores brancas, amarelas, rosas, roxas, lilás e verdes.

(**) Blogueiro brasiliense

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