O crepúsculo da Troca

 

Feira agita Olhos D’Água, mas caminha para o fim da tradição do escambo

 

 

A Troca não é mais a mesma. Este é o sentimento generalizado entre os moradores do povoado de Olhos D’Água, no município de Alexânia (GO), a 100 km de Brasília. A feira, que agita a cidade um final de semana por semestre, está perdendo sua essência.

“Comecei a ir à Feira do Troca quando tinha nove anos de idade. Hoje em dia mudou muito. Praticamente não existe mais troca”, conta a diarista Nena Alves, moradora da cidade. No próprio cronograma da festa só estão programadas trocas no domingo de manhã, apesar de a abertura do evento ocorrer na sexta-feira.

Há 40 anos, no início da feira, o objetivo era trocar as “coisas da cidade” por “coisas da roça”. Os moradores da zona rural levavam porcos, galinhas, ovos e mantimentos agrícolas para trocar por roupas, sapatos e outras utilidades da cidade. “Sempre foi uma grande festa!”, lembra Seu Antônio, marido e dono do Boteco da Dona Cecília.

A 81ª edição do Troca, no primeiro fim-de-semana de dezembro, a homenageada foi a Folia do Divino, uma festa promovida por devotos em louvação ao Espírito Santo. Em Olhos D’Água, dança, música e peças teatrais levaram a alegria do Divino. “Mas a chuva sempre atrapalha o Troca de dezembro”, diz Arnaldo, proprietário do Buteco Quintal. Para ele, em junho é mais tranquilo, inclusive porque é a abertura das festas de fogueiras.

Carros

A maior dor de cabeça desta edição da Feira foi a quantidade de automóveis e carros de som na cidade. “Olhos D’Água não comporta grande quantidade de baderneiros. Ninguém é obrigado a ouvir a música que o outro quer ouvir só porque ele tem um som no carro”, reclama Márcio Leiva, gerente de um brechó.

Outro problema gerado pelos veículos é o trânsito na parte histórica. Apesar de ser proibida a passagem dos carros, algumas pessoas tiram as placas e ultrapassam os limites do bloqueio determinado pela polícia para chegarem até a Igreja. “Era uma turma de bêbados tomando conta da corrente e abrindo para todos os carros o acesso à praça. Uma lástima, muito desagradável!, lamentou a artesã Edelvais Jeker.

Fora os contratempos, até normais para um evento que reuniu cerca cinco mil pessoas e praticamente dobrou a população da pequena Olhos D’Água por um final de semana, a feira foi um sucesso. Em junho tem mais. E a vila, mais uma vez, estará de portas abertas aos turistas.

Para mais informações, acesse www.bsbcapital.com.br e procure por Olhos D’Água.

Deixe um comentário