O arrudismo está de volta

Mesmo cassado, Arruda pode voltar a frequentar o Governo de Brasília

Oito anos depois de ser afastado do Palácio do Buriti, com a cassação de José Roberto Arruda, o arrudismo começa a voltar ao GDF pelas mãos do governador eleito Ibaneis Rocha (MDB). Os escândalos do Mensalão do Democratas apurados na Operação Caixa de Pandora parecem não ter sido suficientemente fortes para afastar de vez a força de Arruda na administração local. Nomes-chave da equipe dele farão parte do secretariado do novo governo. Sem contar a eleição de Flávia Arruda para a Câmara dos Deputados.

O empresário José Humberto Pires – ex-proprietário da rede de mercados Planaltão – que atuou como todo poderoso secretário de Governo de Arruda – foi convidado para ser secretário de Desenvolvimento Econômico. Pires, que em 2009 chegou a ser indiciado na Caixa de Pandora e depois inocentado pela Justiça, declinou do convite alegando compromissos profissionais e institucionais. Mas sua indicação aponta o perfil que Ibaneis busca para a sua equipe.

Perfil reforçado pela designação do auditor da Receita do DF, André Clemente, para a Secretaria de Fazenda. Em seu currículo ele traz a passagem pelo mesmo cargo nas gestões de José Roberto Arruda (PR), Paulo Octávio (PP) e Rogério Rosso (PSD). Desta forma, quem vai cuidar do caixa de Ibaneis é o mesmo que cuidou do caixa de Arruda.

Ao indicar Clemente, Ibaneis repete o mesmo erro de Rollemberg quando decidiu nomear para dirigir o Detran um cidadão que tinha cinquenta multas em apenas um ano. E, mais grave, processava o próprio órgão por conta disso. André Clemente, segundo a Rádio CBN, deixou de pagar o IPTU e a Taxa de Limpeza Urbana de dois imóveis no Sudoeste, de 2012 a 2015, e o IPVA de um veículo nos anos de 2013 e 2014. Por isso, teve o nome inscrito na dívida ativa do DF. Em 2016, a Procuradoria-Geral do GDF entrou com ação contra ele cobrando o pagamento de uma dívida de R$ 20 mil, com as correções. A dívida foi parcelada em 60 vezes. De janeiro até agora ele pagou mais de R$ 10 mil.

O salário médio de um auditor fiscal em Brasília é de R$ 22.671, podendo variar o inicial de R$ 12.300 até o topo da carreira, R$ 30.000. Clemente alegou problemas financeiros pessoais para não pagar os impostos devidos, além de discordar das alíquotas cobradas. Independentemente do que motivou o não pagamento, não parece salutar, nem transmite uma boa mensagem de moralidade administrativa a indicação para a Secretaria da Fazenda de um auditor fiscal que esteve inadimplente para com o Fisco.

É bom lembrar, que a missão de um auditor é fazer com que impostos sejam devidamente recolhidos. Rollemberg teve a grandeza de reconhecer o erro e trocou o indicado para o Detran. Ibaneis não parece inclinado a fazer o mesmo.

Raposa no galinheiro

Izidio Santos é vice-presidente do Sinduscon e dirigente da Barsan Engenharia. Foto: Reprodução Youtube

Ibaneis decidiu ainda entregar a Secretaria de Obras ao vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil e dirigente da Barsan Engenharia, Izidio Santos. É o Sinduscon quem representa os interesses das empreiteiras junto ao GDF. Entregar a gestão das obras, licitações, concorrências públicas a quem representa a corporação, ou seja, ao segmento que é contratado para executar obras, não é das melhores práticas. Não demonstra equidistância.

O GDF já teve excelentes secretários de Obras com perfil técnico que saíram de seus quadros ou das empresas estatais do DF. Assim, se demonstra uma preocupação em se manter a casa longe de qualquer suspeição de favorecimentos. Vamos fica de olho nos próximos passos das escalações de Ibaneis.

Rede ou peixe

A Rede Sustentabilidade sai das eleições de 2018 com o futuro indefinido. A agremiação comandada por Marina Silva, e outros 13 partidos não conseguiram atingir o desempenho de obter 1,5% dos votos válidos em pelo menos nove Estados. Desta forma, não terá acesso aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV na propaganda eleitoral, além de ter suas atuações nas Casas Legislativas tolhidas.

A saída coletiva é a fusão com outra agremiação para que, no somatório das duas, a cláusula de barreira seja atingida. Individualmente, os parlamentares eleitos por essas legendas também poderão migrar para outros partidos.

 

Camarada Pedrosa

Chico Leite levou a Rede até Ibaneis. Internamente nem todos aprovaram a manobra. Foto: Júlio Pontes

O que se comenta no Congresso Nacional é que a Rede tende a fechar uma junção com o PPS, de Roberto Freire, que em Brasília tem como nome maior o do senador Cristovam Buarque. Na mesma situação encontram-se o PCdoB e o Pros, que estariam analisando uma unificação.

O Pros de Eliana Pedrosa seria absorvido pelos Comunistas. O PSB de Rollemberg corteja o PPL de João Vicente Goulart, filho de Jango. Mas foi Rollemberg quem bloqueou a construção do Memorial à Democracia que abrigaria os restos mortais do ex-presidente.

A dúvida que fica é quanto ao comportamento dos caciques dessas legendas. Chico Leite tem 80% da Rede no DF, e já se alinhou com Ibaneis. Não se sabe se haverá espaço para o partido na nova equipe, já que os “autênticos” da Rede refutam as manobras políticas de Leite.

Haverá ainda uma janela para que individualmente parlamentares eleitos por esses partidos migrem para outros. Nessa hipótese, o PSL de Bolsonaro espera ganhar 15 novos deputados. Ocorrendo esse êxodo parlamentar, a desidratação das siglas que não obtiveram bom desempenho será ainda maior.

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