Núcleo Bandeirante ganha Casa da Memória

O Núcleo Bandeirante seria uma cidade provisória – chamada “Cidade Livre” abrigou trabalhadores da construção de Brasília e deveria ser extinta após a fundação, e essa história pode ser revista em jornais da época disponíveis na Casa da Memória, que será inaugurada hoje, às 8h30.

“O arquivo tem documentos pessoais, como as reivindicações dos moradores pela fixação da cidade, várias cartas enviadas pela população ao presidente Juscelino Kubitscheck e até mesmo vários registros fotográficos”, afirmou a coordenadora de pesquisa do Arquivo Público do DF, Cristiane de Assis Portela.

Segundo ela, o acervo tem jornais que foram muito populares, como o “Correio da Manhã” e o “Diário Carioca”, ambos do Rio de Janeiro e extintos – “Eles, assim como o Correio Braziliense e muitos outros jornais denunciaram toda a manifestação da época”.

A coordenadora explicou que uma das diferenças da Casa da Memória do Núcleo Bandeirante é que a população poderá doar toda documentação pessoal de interesse público para enriquecer o acervo.

“Por exemplo, fotografias do Núcleo Bandeirante, revistas da época e jornais sobre a construção de Brasília, encartes com a programação de cinema, coisas que as pessoas vêm guardando e podem oferecer ao arquivo.”

Para o administrador Elias Dias, a unidade era necessária e atenderá os estudantes e o público geral que pesquisa a história da região.

“Estamos satisfeitos em receber esse importante espaço na nossa biblioteca, que inclusive tem o nome da pioneira Vó Philomena. E o Núcleo Bandeirante, como cidade-mãe do DF, precisava do espaço”, enfatizou.

O pioneiro João Tenório disse que a proximidade do Arquivo Público com os moradores manterá a história da capital mais viva.

“Por enquanto ainda estamos aqui para contar o que vimos. As fotos comprovam as nossas histórias e elucidam o que vivemos nessa cidade. É muito bom poder ver tudo de novo e lembrar o nosso passado”, disse.

Tenório será personagem de um vídeo-documentário sobre o Núcleo Bandeirante que será gravado, hoje, no período da tarde.

Na inauguração, será apresentado o curta-metragem “O Palácio das Tábuas”, idealizado por Portela e Guilherme de Azevedo França, coordenador de pesquisa do arquivo – tem 12 minutos de duração e retrata a construção do Catetinho.

“A gente descobriu uma documentação referente à contratação pela Novacap da empresa mineira Fertisa para a construção do Catetinho. A obra foi feita majoritariamente com dinheiro público e a produção traz a visão do cotidiano, com o depoimento de três trabalhadores que viveram aquele momento”, disse.

A Casa da Memória funcionará na Biblioteca Pública da cidade e a inauguração faz parte da política de descentralização da oferta dos serviços prestados pelo arquivo para facilitar o acesso público aos temas que tratam da história das regiões administrativas.

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