Na ponta do tridente

Não teve santo que desse jeito. Doze dias após anunciar que estava propenso a desistir da candidatura ao Palácio do Buriti e ser convencido a reavaliar a decisão, o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR), de 81 anos, manteve-se irredutível. Na terça-feira (24), depois de uma reunião com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, encerrou o imbróglio e anunciou que está definitivamente fora da vida pública.

A saída de Frejat deixou um vácuo no tabuleiro político do jogo sucessório de Rodrigo Rollemberg (PSB). Ele liderava todas as pesquisas de intenção de voto para governador nas eleições de outubro. Em algumas delas, inclusive, atingia mais de 50% dos votos válidos, o que apontava até para a possível vitória no primeiro turno.

Mas em política não existe vácuo. Antes mesmo do veredicto final de Frejat, outras peças se movimentavam para ocupar o espaço deixado por ele. O próprio Rollemberg, discretamente, comemorou. E revelou ter feito uma visita de cortesia ao então adversário, com quem, civilizadamente, trocou impressões sobre o caldeirão fervente da política brasiliense.

“Esses pactos são difíceis de desfazer”, disse o governador ao Brasília Capital.“Ali não tem só um diabo. São muitos. O Frejat teria que explicar isso”, disse Rollemberg. E já ensaiando o discurso para repelir qualquer aliado de Frejat que venha a se apresentar como candidato a tomar-lhe a cadeira no Palácio do Buriti, alertou: “as pessoas não querem a volta da corrupção, pois sabem o tanto que a cidade sofreu por causa dela”.

Com o novo cenário e diante da percepção da população da importância das medidas tomadas por seu governo para arrumar a casa (as contas públicas), o governador se disse confiante. “Tenho muita convicção de que vamos ganhar essa eleição”.

Apoiador da candidatura deJofran Frejat, o manda-chuva do MDB no DF, Tadeu Filippelli, lamentou a desistência do aliado. “Desde o primeiro momento declaramos apoio ao nome dele e defendemos a união de todas as forças do nosso campo para derrotar o atual governo”, disse Filippelli. E reiterou: “mesmo sem ele, vamos insistir na busca dessa união”.

Como o ex-pré-candidato exerceu o direito de sair de cena mantendo-se calado quanto a quem seriam os aliados que queriam vender sua alma ao Diabo e lançá-la ao fogo do Inferno, resta a Brasília desejar a Frejat boa sorte e sossego em sua nova aposentadoria.

E a cidade precisará se acostumar com a sensação de continuar sendo perseguida por um exército de diabos ocultos. A menos que eles, por uma improvável inspiração divina, decida vestir a carapuça e pôrà mostra seus chifres e os afiados tridentes. Deus nos livre!

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