Mulheres marcam greve internacional para 8 de Março

Um grupo de ativistas norte-americanas convocou para o dia 8 de Março, uma greve internacional “contra a violência masculina e pela defesa dos direitos reprodutivos”. O manifesto, publicado  no jornal The Guardian, é assinado por ativistas e acadêmicas entre as quais Angela Davis, que luta pelos direitos civis, e a filósofa política Nancy Fraser.

Seguindo o exemplo de manifestações recentes, como a greve de mulheres na Polónia contra a proibição do aborto, as ativistas norte-americanas juntam-se ao movimento International Women’s Strike, que está sendo organizado por “grupos feministas de cerca de 30 países”. As ativistas apelam à mobilização de mulheres e todos os que as apoiam num dia de greves e marchas, de “abstenção do trabalho doméstico, de cuidados e sexual” e da denúncia de “políticos e empresas misóginas”.

A iniciativa inspira-se nas reivindicações do coletivo  Ni Una Menos, um movimento feminista que tem organizado várias manifestações na Argentina e que em Outubro do ano passado convocou uma greve contra a violência machista, que teve eco em vários países da América Latina

No Brasil a luta é contra a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer, que quer acabar com o direito garantido às mulheres de se aposentarem antes devido à dupla jornada de trabalho. Movimentos feministas planejam participar da greve convocada para 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher. 

As ativistas norte-americanas defendem que a Women’s March (Marcha das Mulheres), que em  21 de Janeiro juntou mais de meio milhão de pessoas em Washington, pode marcar o início de uma nova onda de mobilização. O texto profetiza o surgimento de um “novo movimento feminista com uma agenda expandida” e interseccional, defendendo que a luta contra a violência contra as mulheres deve aliar-se a movimentos pelos direitos sociais e laborais — “um feminismo para os 99%”. O movimento afasta-se assim do chamado “feminismo lean in“, com ênfase no empreendedorismo, para se aproximar de uma vertente anti-capitalista.

Nos Estados Unidos, a Marcha das Mulheres opôs-se a Donald Trump e às suas “políticas agressivamente misóginas, homofóbicas, transfóbicas e racistas”, reivindicando não apenas os direitos das mulheres — como o acesso a cuidados de saúde e planejamento familiar gratuitos e o fim da desigualdade salarial entre homens e mulheres — mas os de outras minorias, lutando contra o racismo, a homofobia, a desigualdade, a discriminação e a intolerância em geral. A organização da Women’s March on Washington já lançou um apelo à greve geral, sem precisar a data.

Em Portugal, foram realizadas “marchas-irmãs” em protesto contra Trump, mas também como uma ação para reafirmar a luta contra o assédio sexual.

Além da histórica ativista Angela Davis e da acadêmica Nancy Fraser, o apelo para a greve de mulheres de 8 de Março é assinado também por Keeanga-Yamahtta Taylor, autora do livro #BlackLivesMatter to Black Liberation, Rasmea Yousef Odeh, directora da Arab American Action Network, e as investigadoras Linda Martín Alcoff, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Barbara Ransby.