Movimento sindical tenta parar o Brasil novamente depois de 21 anos

Mobilização dos Metalúrgicos do ABC em São Bernardo no ano passado. Foto: Adonis Guerra/Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

 

Os movimentos sindicais vivem uma grande expectativa com a greve geral da próxima sexta-feira (28) contra a reforma na Previdência Social e as mudanças propostas para as leis trabalhistas feitas pelo governo Michel Temer. Isso não ocorre desde 1996 e os sindicalistas pretendem paralisar o País unindo as mais diversas categorias.

“Desde 1996, o Brasil não vive uma greve geral. Os sindicatos estão mobilizando suas bases, aprovando a participação das categorias em assembléias”, afirma o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em São Paulo, João Cayres. Ele explicou que a proposta de parar o Brasil em 15 de março passado não foi uma greve, como os sindicalistas pretendem fazer nesta semana.

Adesão

João Cayres explica que no mês passado a ideia era “fazer assembleia na porta das fábricas, mobilizar os trabalhadores, atrasar o trabalho, mas não paralisar de fato, o que acabou acontecendo em algumas categorias”. Em março, serviços essenciais, como transporte de massas, chegaram a paralisar suas atividades na parte da manhã em algumas cidades.

A professora de sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) Paula Marcelino frisa que o sucesso da greve geral dependerá das categorias que aderirem. “Certas categorias têm capacidade de pressão mais expressiva, como os metalúrgicos, o setor de transporte, petroleiros. Os professores, praticamente nenhuma”, afirma.

Guerra de números

A maior greve geral realizada no Brasil ocorreu em 1989. Mesmo assim, não houve paralisação total dos setores produtivos. “Foi geral, mas não total”, disse o então presidente da CUT, Jair Meneguelli. Entre 14 e 15 de março daquele ano, 70% da população economicamente ativa do País teriam paralisado suas atividades, de acordo com levantamento das centrais sindicais.

Na ocasião houve uma guerra de números entre os comandos de greve e as entidades patronais. “Tivemos algumas greves gerais depois da redemocratização, mas acredito que essa foi a mais expressiva”, diz a professora Paula Marcelino. Levantamento da Folha de S. Paulo mostrou que no dia 14 de março de 1989 em 12 das 27 capitais brasileiras nada funcionou. Nas outras, a paralisação foi parcial.

 

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