Médicos cubanos iniciam atendimento no DF

Após dois meses de intenso treinamento e de reconhecimento de área, 34 profissionais cubanos que integram o programa “Mais Médicos” começam a atuar, hoje (11), em diversos locais do Distrito Federal com a missão de facilitar o acesso da população aos serviços de saúde.

Os novos médicos integrarão as equipes de Saúde da Família, instrumento da Secretaria de Saúde responsável pela atenção primária de pacientes, que atinge, com esse reforço de pessoal, 60% dos moradores do DF.

Médico há 20 anos, o cubano Ramon Aragon, 44 anos, é um dos profissionais que trabalhará no DF pelos próximos três anos. Para ele, o principal motivo de participar dessa iniciativa do governo é colocar a medicina a serviço dos que mais precisam.

“Esperamos melhorar a situação de saúde do povo brasileiro, já que os indicadores mostram que a situação, de modo geral, não está tão boa. Nossa obrigação, aqui, é levar saúde às pessoas e melhorar a vida delas”, disse o médico cubano.

Aragon veio para o Brasil há dois meses juntamente com a esposa, a também médica e integrante do programa Yelina Bacallao, 44 anos. Nesse período, o casal participou de cursos de ambientação, de idioma e conheceu um pouco mais sobre o país e as particularidades de suas enfermidades, como a doença de Chagas e a leishmaniose.

Voltado às causas humanitárias, o casal cubano participou, por seis anos, de missões na Guatemala e na Venezuela e, diante da realidade do DF, elogiou a estrutura dos hospitais e centros de saúde.

De acordo com Yelina, a decisão de vir ao Brasil participar do “Mais Médicos” foi motivada única e exclusivamente pela vontade em ajudar ao próximo. Apaixonada pela profissão, ela deixou três filhos na capital cubana para poder servir aos brasileiros.

“A estrutura que vimos aqui é diferente de outros lugares em que já estivemos, como na Venezuela, onde a situação era precária e não existiam centros de saúde. Essa é uma oportunidade de enriquecer profissionalmente e como pessoa. Nossa missão é chegar aonde nenhum médico chegou”, frisou a médica.

EXPERIÊNCIAS – A formação dos médicos cubanos passa pela graduação, com duração de seis anos, seguida de uma especialização. No caso de Aragon e Yelina, essa pós-graduação, de três anos, lhes rendeu os títulos de médicos generalistas, especialidade que trata de diversas enfermidades.

MÃO DE OBRA – De acordo com dados do Ministério da Saúde, o número de médicos no país é insuficiente e chega a ser 1,8 profissional para atender grupos de mil habitantes, quantitativo menor que o registrado em outros países da América Latina, como a Argentina (3,2) e Uruguai (3,7).

Ao comparar o Brasil às nações da Europa, por exemplo, a desigualdade cresce de forma expressiva e esse quantitativo quase dobra, como no caso de Portugal, que conta com 3,9 médicos por mil habitantes, e a Espanha, que registra quatro profissionais para cada grupo de mil pessoas.

Conforme acordo estabelecido pelos governos brasileiro e cubano, os repasses de pagamento dos médicos são feitos do Ministério da Saúde para a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que intermediará com o governo de Cuba.

APROVAÇÃO – Apesar de não terem iniciado o atendimento, os médicos cubanos visitaram, na última semana, vários centros de saúde e hospitais regionais do DF para ambientação.

Doze médicos cubanos passarão a atuar em nove centros de saúde, principalmente nos setores Sol Nascente e Pôr do Sol.

Nas demais regiões administrativas, a quantidade de médicos será a seguinte: dois em Brazlândia, três em Samambaia, dois no Recanto das Emas, três no Gama, um em Santa Maria, dois em Sobradinho, um em Planaltina, três em Taguatinga e três no Guará/Estrutural.

Fonte:

Deixe um comentário