Marcos Valério implicará tucanos em delação premiada

Marcos Valério, conduzido pela polícia, já usufrui benefício da colaboração com a Justiça

Foto: Reprodução

 

 

O empresário Marcos Valério, condenado no Mensalão, primeiro escândalo da era Lula, a 37 anos e cinco meses de prisão, fechou acordo de delação premiada com a Polícia Federal para revelar crimes. Inclusive dos tucanos em Minas Gerais. A informação foi confirmada pela PF nesta quarta-feira (19). Ele foi transferido na noite de segunda-feira (17), da Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para a Associação de Proteção e Assistências ao Condenado (Apac) de Sete Lagoas, também na Grande BH.

A remoção do empresário é um indicativo de que as negociações já estavam bem adiantadas. Marcos Valério é um personagem emblemático do Mensalão, que levou para a cadeia alguns dos principais quadros do PT, como o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e o ex-presidente do partido José Genoíno. Nas Apacs, para onde Marcos Valério foi levado no início da semana, os condenados não usam uniforme e os seguranças não portam armas.

Em junho de 2016, a defesa de Valério entregou ao Ministério Público uma oferta de delação premiada sobre o mensalão tucano. Em 24 de março de 2017, a promotoria informou que não havia interesse por parte do órgão na delação do réu e recusou o procedimento. De acordo com a denúncia do Ministério Público estadual, o esquema teria desviado recursos para a campanha eleitoral de Eduardo Azeredo (PSDB), que concorria à reeleição ao governo do estado, em 1998.

Companhia de saneamento

Para a acusação, houve ato de improbidade administrativa por parte de Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Holerbach quando R$ 3 milhões foram transferidos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) para a agência de publicidade SMP&B, da qual os três eram sócios à época. A verba foi declarada como patrocínio para a realização do Enduro da Independência, evento que não chegou a ser nem licitado e não houve formalização de contrato.

Para a promotoria, esse dinheiro foi usado na campanha de reeleição do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, através das agências de publicidade SMP&B e DNA, ambas dos três réus. Azeredo foi derrotado no pleito por Itamar Franco (PMDB). Os três sócios foram interrogados na Justiça em Belo Horizonte dentro do julgamento da ação penal no dia 7 de abril deste ano. Todos os acusados negam envolvimento em crimes.

Azeredo foi condenado em primeira instância a 20 anos e 10 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Ele recorre em liberdade.

“Interesse público”

O empresário já havia pedido transferência para outra Apac, de Lagoa da Prata, no Centro-Oeste de Minas. Porém, a ida para a instituição não ocorreu porque ficou comprovado que Valério, ao contrário do que alegou à época, não tinha parentes residindo no município.

A colaboração foi assinada no dia 6 de julho deste ano. De acordo com o despacho do juiz Wagner de Oliveira Cavalieri, “tal sentenciado é presumidamente possuidor de inúmeras informações de interessa da Justiça e da sociedade brasileira, motivo pelo qual inegável o interesse público em suas declarações sobre fatos ilícitos diversos que envolvem a república”.

Autoridades

Segundo a PF, o processo foi encaminhado para o Supremo Tribunal Federal (STF). Marcos Valério já prestou vários depoimentos à corporação referentes à delação. A homologação do acordo está sob análise do STF porque há, no processo, investigados com foro privilegiado.

Já o Supremo não confirma a existência de tal processo porque acordos de colaborações premiadas correm em segredo de Justiça. O advogado de Marcos Valério, Jean Robert Kobayashi Júnior, disse que não se manifestará sobre o acordo de delação premiada porque a defesa trata o assunto com “muita cautela”. Mas, informou que a delação de seu cliente envolve o mensalão tucano e o que chamou de “outros assuntos”, sem detalhar a que processos ele se refere.

 

 

Da Redação, com agências G1 e Estadão} else {

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