Maranhão demite diretor da TV Câmara após transmissão de entrevista coletiva de Cunha

Plenário do Congresso
Waldir Maranhão afrimou que a demissão de diretor já estava preparada e só esperava ele voltar das férias. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

 

O diretor da TV Câmara dos Deputados, Cláudio Lessa, foi demitido pelo presidente em exercício da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA, foto), nesta terça-feira (21). A demissão ocorreu horas depois da transmissão ao vivo parte de uma entrevista coletiva concedida pelo presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Maranhão já pensava em substituí-lo Lessa devido a outros acontecimentos que teriam provocado um desgaste entre eles. O ex-diretor da TV retornou de férias na segunda-feira (20) e foi comunicado da demissão hoje.

“Essa questão já estava decidida, estava apenas aguardando o retorno das férias. As pessoas passam e as instituições ficam. Trata-se de um bom profissional que cumpriu a sua missão com zelo e responsabilidade”, afirmou Maranhão.

A entrevista de Cunha foi transmitida em um dos canais secundários da TV Câmara, acessível apenas para quem tem TV digital em Brasília, pelo site da Câmara e por meio da página da instituição no YouTube. Além disso, uma equipe da TV se deslocou até o local onde Cunha fez  seu pronunciamento, o Hotel Nacional, para acompanhar a entrevista coletiva.

A justificativa da TV Câmara foi que a transmissão seguiu um critério jornalístico, já que poderia haver algum anúncio por parte do presidente afastado, como a sua renúncia, e que poderia ter impacto direto na Casa. A transmissão foi alvo de questionamentos de deputados que protestaram contra o fato de a estrutura da TV ter sido usada para veicular a entrevista.

Devolução de dinheiro – A deputada Maria do Rosário (PT-RS) chegou a entrar com  representação na Mesa Diretora da Câmara pedindo que Cunha devolva à Casa o dinheiro gasto com o pronunciamento. A petista afirmou que a transmissão foi irregular, já que o peemedebista é alvo de  processo de cassação, aprovado pelo Conselho de Ética da Casa.

“É muito contraditório alguém que está sendo processado pela Câmara utilizar a própria estrutura da Casa em um pronunciamento… O gasto com a transmissão se refere a um interesse privado. Foi um uso pessoal da estrutura da Câmara por um parlamentar que está afastado por decisão do Supremo”, disse a parlamentar.

O presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), também criticou a transmissão da entrevista. Ele argumentou que, como não se referiu a pautas legislativas, não poderia ter sido veiculada pela TV Câmara.

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