Máquinas de fazer doido

O saudoso escritor carioca Sérgio Porto, que marcou época no jornalismo com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, costumava rotular os computadores de “máquinas de fazer doido”, caracterizando o grande malefício que alguns programas televisivos provocam na cabeça das pessoas, tendo como temas personagens que ganham o título de super-heróis graças às suas façanhas na base da violência explícita. Tudo isso graças à liberalidade e respectiva impunidade de que desfrutam essas exibições, que se multiplicam a cada dia, juntamente com a lucrativa audiência, transformando os telespectadores em vítimas dessa doidice coletiva em que se incluem principalmente as crianças.

O parágrafo acima vale como tentativa para explicar a chacina familiar ocorrida há pouco mais de uma semana em São Paulo, tudo levando a crer que o autor seja o adolescente de 13 anos, Marcelo Pesseghini, que teria matado, com uma pistola automática, seus próprios pais, o casal de PMs paulistanos, Luís Marcelo e Andréia Regina, incluindo a avó Benedita Oliveira e sua tia-avó Bernadete. O crime dos quatro primeiros ocorreu de madrugada. Segundo as investigações policiais, depois de matar os entes supostamente queridos, o garoto compareceu à escola. E horas depois, acionou o gatilho da mesma arma contra a própria cabeça ao retornar à casa.

Cinco vítimas fatais, mortos sem motivos aparentes. A justificativa apresentada pelo psiquiatra Manoel Martins de Barros, do Hospital das Clínicas, é mais ou menos óbvia: “Os riscos de se ter uma arma em casa são altos. O objeto é principal fator de risco para o suicídio de um adolescente. É mais perigoso do que a pessoa estar deprimida”. Já a psicóloga Sônia Prado, especialista em distúrbios domésticos, chegou mais perto do cerne do problema. Entre seus diagnósticos técnicos, destacou: “vivemos em uma cultura onde a solução dos conflitos surge com base na violência. A violência pela Internet, por exemplo, acomete nossos jovens de uma forma muito brutal”.

Parabéns à psicóloga por confirmar a assertiva do Stanislaw Ponte Preta: a Internet continua sendo máquina de fazer doido. E isso foi ratificado por uma declaração de um colega de escola do finado jovem, assíduo em assistir esses malditos programas de violência: “Marcelo costumava dizer que pretendia matar seus pais e se tornar um bandido de aluguel!”.

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