Mamãe coragem

Antes, todo dia era dia de índio. Também, todo dia era dia da mãe. E o é, só

que nem todas as pessoas se dão conta da sua importância. Depois, dedicaram-lhe apenas o segundo domingo de maio como o seu dia.

Há pais que, por força de circunstâncias, se veêm forçados a desempenhar o papel de mães. A estes, elas carinhosamente denominam “pães”, um cruzamento de pai com mãe.

Uma mulher mãe é, ao mesmo tempo, várias, dividindo-se na multiplicidade de obrigações que o status lhe exige. É ela, a mãe, que experimenta o peso do filho desde a concepção, carregando-o no ventre por nove meses, depois no colo, durante toda a infância e no coração, por toda a vida e até após, pela eternidade.

Ainda incumbe à mãe amamentar o filho. E, quando apartado do peito, oferecer- lhe outros alimentos, a despeito da relutância do pequeno ao não mais poder dependurar-se nos seios em que mamava.

Atravessadas essas etapas, vem a fase da aborrecência, que antecede a adolescência e até após esta, varando o ingresso e prosseguimento na idade adulta, quando o filho já se sente dono de si e senhor/ senhora do seu destino.

Também se encarrega a mãe de ensinar às suas crias as primeiras palavras e

ajudar-lhes a engatinhar, ensaiar os primeiros passos, até que aprendam a andar sozinhas e, daí, correr o mundo. Não lhe escapa, também, a coordenação e o encaminhamento à escola, bem assim a cobrança do dever de casa, instalando-se, aí, a parte chata da mamãe.

Mas não é só isso. Ainda tem que forçar a barra para fazer com que o moleque

coma salada, jiló e abóbora, que para uns é como fossem não comestíveis, diminua ou evite as guloseimas. Noutra ocasião, vem a regulação para

as idas às festas e baladas. Tudo isso parece motivo para a rebeldia juvenil, que sublima os perigos da vida, preferindo o frevo à reza.

A par desses sacrifícios a que as mães são submetidas, e das grosserias que recebem de seus entes mais amados, elas parecem nunca cansar, compreendendo todas as manhas dos filhos, inclusive declarando nada ter a perdoá-los. Até porque, antes de ser mãe, a mãe foi filha.

Sabe como é que é, né?

Parabéns, mamães! 

Por Antônio Bezerra

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